sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Uma opinião sobre o Comércio de Rua

O Blog também é um espaço de partilha de opiniões e aqui fica o apontamento do meu Amigo Faustino do Rosário.

Olá Zé Ventura
Sem querer tornar o teu blog num local de discussão ou discórdia, gostava de deixar aqui a minha opinião sobre um assunto que me tem dado que pensar.
Isto ainda tem a ver com o fecho da Livraria 107.
Como moro no Canadá, nunca fui um grande cliente da livraria, mas todos os anos quando vou a Portugal, costumo comprar sempre alguns livros para oferecer aqui como prendas.
Este ano (2011) comprei o Dicionário da Língua Portuguesa com o acordo ortográfico (Porto Editora)
Também gostaria de ter comprado a História de Portugal de Bernardo Vasconcelos Sousa e Rui Ramos.
No entanto a funcionária de serviço, limitou-se a dizer que não tinha esse livro.
Fui então à livraria Parnaso, fiz o mesmo pedido, e a Sra., respondeu também que não tinha.
Também fui a duas garrafeiras, pois pretendia comprar vinho do Porto (Quinta da Peça)
Nos dois estabelecimentos obtive a mesma resposta... Não temos !
Portanto, meu caro amigo, como é que o comércio tradicional pode sobreviver se não vi nestes 4 estabelecimentos um mínimo de intenção em satisfazer o cliente ?
Claro que é apenas a minha opinião pessoal, mas eu acho que deviam de fazer um pequeno esforço, como por exemplo, dizendo-me que podiam encomendar se eu estivesse interessado.
O comércio tradicional, não se pode limitar a vender apenas os produtos que têm expostos, mas sim, vender também aquilo que os clientes procuram !
Já agora aproveito para te mostrar uma iniciativa própria de alguns músicos, dançarinos, técnicos de som e de imagem, que se reuniram para animarem uma zona de uma rua que tem muito comércio tradicional, entre eles alguns estabelecimentos portugueses (nesta zona moram bastantes portugueses).
Uma vez por ano, e durante 3 dias a rua é fechada ao transito para permitir que os produtos sejam também expostos na rua à frente dos estabelecimentos.
Portanto isto passou-se na Avenida Mont-Royal em Montreal Canadá no Verão de 2010.
Isto é a música tradicional canadiana ao serviço do Comércio de Rua
Um grande abraço.
Faustino Rosário

6 comentários:

Luis Eme disse...

não concordo com esta tese, do Faustino, por sentir que o que existe de melhor no comércio tradicional é a disponibilidade para nos serem úteis, a familiaridade que não se encontra nas grandes superfícies.

claro que em termos de oferta é impossível concorrer com os grandes grupos. um pequeno comerciante não se pode dar ao luxo de ter mercadoria que não se vende...

MaximinoMartins disse...

Tem razão. Mas mesmo não tendo a mercadoria, cai bem ao cliente...disponibilizarem-se para tentar arranjar o que é procurado e não têm...
Creio ser isso que referia o Faustino...

Faustino Rosário disse...

Caro sr Luis
Concordo plenamente consigo que existe uma gentileza familiar no comércio tradicional que não há nas grandes superfícies.
Também estou de acordo, que estes mesmos pequenos comerciantes não podem ter quantidades industrias de produtos nos seus estabelecimentos.
A minha sugestão vai no sentido, do pequeno comerciante se disponibilisar a tentar arranjar os produtos que o cliente pretenda, desde que seja dentro da especialidade do que exista já na loja.
Muito obrigado por ter lido o artigo, pois prova que este assunto lhe interessa.

J L Reboleira Alexandre disse...

A tal disponibilidade por vezes é mais aparente que real...exactamente na 107 em Maio, tive que insistir com a «pobre» menina para ver se tinha o tal livrinho que eu buscava. E afinal até tinha mesmo. Mas será que sabendo que a loja ia fechar em Setembro, o seu estado psicológico seria o melhor? Abreviando: nos grandes espaços,apenas procuramos um preço e um produto. No pequeno comércio por vezes buscamos quimeras!!! Já há muitos anos,entro um dia na 107 e pergunto à proprietária se tinha algo sobre «análise técnica dos mercados». Ela olhou-me e achou que devia ter chegado agora de Marte, não se desculpou,mas disse que não tinha, claro. Quantas vezes em mais de 30 anos de contacto diário com o cliente olhei alguns com os mesmos olhos que a senhora me viu naquele dia. Penso que o ZV não me bate neste campo!

Fernando Santos disse...

Como também estive nas Caldas em Maio, acompanhei o Z.V. para cumprimentar a D. Isabel mas não fiz nenhuma compra. Apenas lamentei o encerramento. Contudo, ao passar na Mercearia Pena, entrei e perguntei se naquela antiga casa (agora modernizada) ainda se vendia o bom bacalhau doutros tempos. O casal que se encontrava ao balcão respondeu afirmativamente e apontou as três qualidades existentes. Mandei pesar aquele que me aconselharam, e pedi para cortar. O senhor, que, creio ser o atual proprietário, para espanto meu cortou o bacalhau com uma daquelas guilhotinas do antigamente, colocou sobre um papel as postas muito bem arrumadinhas, fez um embrulho à maneira antiga e atou-o muito bem com um cordel.
No final, como não haviam mais clientes, ainda deu para falar um pouco sobre alguns estabelecimentos antigos e já desaparecidos. Conclusão: tive um bom atendimento e o bacalhau era, (é) muito bom porque ainda cá tenho umas posta no congelador.
Fernando Santos.......Olhão.

Anónimo disse...

Se me é permitido levar esta situação com um pouco de humor, e sem qualquer sentido depreciativo, o meu grande erro foi ter confundido um canadiano com um marciano...

Peço as minhas desculpas...
Isabel