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domingo, 21 de julho de 2019

O Salão Ibéria

Esta fotografia é uma preciosidade. Trata-se do interior do Salão Ibéria, onde se pode ver uma vasta assistência atenta a um evento ainda não identificado.
Julgo que não há muitas fotos que mostrem o interior desta sala de cinema, que marcou a nossa geração, (estou a falar para os cinquentões). A plateia, com as suas cadeiras de pau, para a “plebe”, porque as almofadadas eram as do balcão e estavam reservadas à classe mais abastada, estava repleta de assistentes. Curiosamente na fila da frente lá estão os meus sogros, no lado esquerdo, de óculos e engravatado, o Orlando Carteiro, um companheiro de Escola que já não vejo há anos e de camisola aos quadrados outro grande amigo, o Tomé Borges, que já nos deixou.

Mas voltando ao Salão Ibéria, segundo o jornal Circulo das Caldas de 8 de Agosto de 1917, as sessões de cinema já vinham funcionando há algum tempo. Nos anos cinquenta a sua arquitectura inicial foi reformulada, permitindo a exibição de filmes em “cinemascope”.
Após longos anos de actividade o edifício ruiu na noite de 9 de Outubro de 1978.
Nota: A Fotografia original é do meu amigo António Guilherme

domingo, 16 de dezembro de 2012

O Clube Operário “Os Estrelas”

Quando desaparece um Amigo com o qual partilhámos os nossos tempos de adolescentes assalta-nos alguma nostalgia desses mesmos tempos, julgo que não tem mal, é sinal que não passámos ao lado da vida.
 “Os Estrelas” foram um marco importante do meu crescimento, foi o Ping-Pong, foi o Futebol,foram os Boletins Informativos, feitos em noitadas em casa do Orlando, mas foram sobretudo os Amigos.
Pois bem, rebusquei nos meus arquivos e aqui estão alguns “cartões de sócios” daqueles tempo.
O nome do grupo reflecte bem o período “revolucionário “ da época, e curiosamente o emblema criado nos anos setenta, é muito semelhante ao dos Jogos Olímpicos de Moscovo de 1980, não sei se os “sovietes” tinham algum espião infiltrado, mas que eles nos roubaram a ideia, disso não há dúvidas.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Recado ao Tomé

Hoje o meu amigo Tomé terminou a sua viagem por esta vida que para ele não foi nada fácil nos últimos anos.
Tenho muitas e boas recordações dos nossos tempos de infância e por isso assino por baixo este pequeno texto que o Ricardo me enviou.
A imagem é do cartão de visita do clube que criámos no sótão do Tomé no ano de 1965.

Recado ao AMIGO TOMÉ BORGES
5 de Dezembro de 2012
Sabes Tomé?! Hoje houve uma reunião dos ESTRELAS. Num local a que chamam cemitério em A-dos-Cunhados, reuniram-se os que tiveram essa possibilidade. De certeza que os que faltaram foi por impedimento absoluto ou porque não receberam a convocatória a tempo e estarão a lamentá-lo. Claro que estavas presente, mas poderias estar a tratar de assuntos bem mais importantes ou talvez estivesses já a caminho da tua nova morada, onde já estará preparada uma festa para a tua chegada e para celebrar amanhã o teu 62º aniversário.

Nesta reunião foi decidido por unanimidade, não por aclamação mas sim com pesar, mandatar-te para ires escolhendo aí no Céu uma nova sede para a nossa “associação” OS ESTRELAS. Poderá ser um sótão modesto, assim como aquele da Rua Jacinto Ribeiro, nº.10 onde, nos anos sessenta, tantas horas passámos de alegria e em franca e saudável camaradagem. A mesa de ping-pong poderá ser como a que existia nesse sótão, de dimensões diminutas, com um lado liso e o outro de tábuas encostadas que transmitiam à bola ressaltos imprevistos que nos obrigavam a aprimorar a rapidez dos nossos reflexos e movimentos.

Aí para onde vais farás amigos com a facilidade com que os fizeste por onde passaste aqui na Terra, por isso vai treinando umas bolas enquanto esperas por nós, na certeza de que um dia nos encontraremos e aí faremos grandes jogatanas.

Um grande abraço e até um dia

Ricardo (Balé)

sábado, 11 de dezembro de 2010

Uma viagem ao passado

Hoje vou utilizar a mesma fotografia que utilizei no Blog dos Antigos Alunos da Escola, porque esta é a imagem que hoje me fez recuar 40 anos e me levou novamente para a Rua Jacinto Ribeiro ali no Bairro da Ponte onde no sótão do Tomé nasceu e cresceu o “Grupo Académico Estrelas da Juventude” mais tarde, entrando na onda revolucionária o Clube Operário “Os Estrelas”.
Pois o meu amigo Tomé, completou 60 anos, nada de extraordinário, só que neste caso, este Amigo trava uma luta sem quartel com a doença. A coisa não está fácil, mas a sua vontade de viver é um exemplo que nos deixa envergonhados quando pensamos que os nossos problemas são muito importantes.
Falámos dos Estrelas, dos Amigos, da Escola, do Ping-Pong e de tantas outras coisas, e curiosamente quando demos por isso já estávamos a fazer planos para o futuro.

Quando a festa acabou vinha pelo caminho a pensar como nós damos pouco valor às pequenas coisas da vida.

Prometi lá voltar um dia destes, porque faz bem à alma recuar 40 anos e perceber que a vida só faz sentido quando temos amigos.