Mostrar mensagens com a etiqueta Rua Camões. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rua Camões. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Caldas intemporal XVIII – Rua de Camões



Esta é uma rua das Caldas com um peso histórico enorme.
Segundo o manuscrito de P.M.Jorge de São Paulo esta rua por alturas da construção do Hospital Real em 1534, era designada Rua das Oliveiras.
No Rol dos Confessados de 1656 é designada por “Rua de Baixo” com 11 fogos.
Em 1855 é citada numa deliberação da Câmara, que manda fazer obras no Largo da Copa, para que as águas que correm na Rua Direita possam seguir para a Rua de Baixo.
Em sessão de 1 de Setembro de 1856 foi designada por “Rua do Olival de Baixo”

-“Foi presente Joaquim Fadista, e requereo pª tirar pª a Rua do Olival de baixo uma porção de esterco – athe o conduzir para as suas fazendas – foi-lhe concedido pelo espaço de quatro dias”

Nos anos seguintes encontram-se várias referências a esta rua.
Em sessão de 7 de Junho de 1880 o Presidente da Câmara Dr. Carril Barbosa pedia aos vereadores para comparecem na Rua do Olival de Baixo, que foi alvo de obras, para a cerimónia da nova denominação que ficaria “Rua de Camões”. As tabuletas em ferro com o nome da rua foram oferecidas por Miguel Queriol como consta da acta de 5 de Julho seguinte.

sábado, 25 de novembro de 2006

Caldas de outros tempos - Pastelarias

A Pastelaria Machado deve ser das casas mais antigas de Caldas da Rainha, ainda em actividade. A sua origem remonta ao século XVIII com a Casa Fausta. Gertrudes Fausta uma das célebres irmãs Fausta, que parece ter sido uma das conserveiras de maior fama e que mais contribuiu para a manutenção de uma actividade emblemática das Caldas: as Cavacas e as trouxas-de-ovos.
Nesse tempo, eram ainda confeccionados alguns doces tradicionais, hoje ignorados, tais como: O "Manjar de Tornada" e os célebres "Cacos".
As irmãs Fausta foram contemporâneas, no final do século XIX, da Cavacaria das Mendricas (na actual Praça da República) onde se reuniam Rafael Bordalo Pinheiro, Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, Columbano, Lopes de Mendonça, António de Andrade (então tenor em início de carreira), o Padre António (de Almeida) de Óbidos (conhecido pela sua bela voz de barítono, bem como pelas pescarias e caçadas que organizava), Gomes de Avelar (editor dos Cavacos das Caldas e ceramista local), os maestros do Club de Recreio (Gaspar e depois Taborda), e Mariano Pina. Por vezes também cavaqueavam no café da Adelaidinha da rua Direita - onde mais tarde ficaria a pastelaria Gato Preto.
Nesta época, havia ainda as seguintes casas e ou conserveiras: a Maria Carolina de Albuquerque (Já existia em 1887), a Cavacaria Pires (abriu em 1892) e a Cavacaria Central (abriu em 1897) - ambas no largo das Gralhas (actual largo Dr. José Barbosa); a Gertrudes e a Mariana Rodrigues Valada (também citada em 1883 por Silvano Lopes) ambas na rua Nova; a Cecília Santos na rua Direita; a Viúva Nunes, a Cesária Coelho e a Mariana César já tinha casa aberta em 1884) - todas na então praça Maria Pia; a Jesuína Garcia na rua General Queirós; o Pedro Prudêncio (emblema do Gato Preto) na rua do jardim nº 52 - premiado na Exposição de Paris de 1900; e a Cavacaria Conde, situada primeiro na Praça Maria Pia e depois na rua Direita (actualmente rua da Liberdade), que desde 1895 anunciava um doce que já não se prova nos dias de hoje - os Pastéis de D. Leonor.
Postal que retrata a Rua de Camões, onde se situa a Pastelaria Machado.

As Irmãs Fausta influenciaram as gerações seguintes de doceiras que fizeram época sobretudo no 1º quartel do século XX, tais como: as Carneirinhas: a Jade: a Adelaide Augusta do Café Sport na praça da Republica; a Flor de Liz na Rua Heróis da Grande Guerra - depois na Av. da Independência Nacional e, nos anos 30, na praça da República; O Africano de Francisco António dos Santos - na Rua Almirante Cândido dos Reis; a Maria Regina Garcia Pereira - e mais tarde a sua filha Regina - no largo do Conselheiro José Filipe; e o Joaquim Machado, na rua Camões, que herdaria a tradição da antiga casa Fausta.
Joaquim Machado desenvolveu a sua arte da doçaria, sobretudo, na primeira década do século XX (vendia as suas famosas trouxas a meio tostão cada) . A Cavacaria Machado, como ficou a denominar-se o estabelecimento, foi tomada de trespasse, em Maio de 1927, pela sociedade de Tiago Leopoldo Perez, que em Maio de 1928 adquiriu a denominação Tiago e Perez Lda.. Ainda hoje existe e é gerida por Herdeiros deste último.

(Pesquisa: Caldas da Rainha de Vasco trancoso, revistas da época, Jornal “O Expresso” e Publicações da Associação Comercial.)