sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Cerâmica – Fim de um ciclo

Segundo dados da União dos Sindicatos do Distrito de Leiria, mais de cinco mil trabalhadores da indústria cerâmica perderam o emprego nos concelhos de Caldas da Rainha e Alcobaça nos últimos três anos.
Não sou especialista no assunto mas é obvio que esta crise que vivemos só veio antecipar a morte anunciada deste sector. Nós aqui neste cantinho do Oeste tínhamos sempre passado ao lado das pequenas crises, desta vez, tal como na aldeia Gaulesa “caiu-nos o céu em cima”.Fica-nos algumas recordações, como esta fotografia que nos mostra a equipa de futebol das Faianças Subtil, provavelmente dos anos setenta.
(Fotografia do arquivo de Valentino Subtil)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Cerâmica 2009 – Ferreira da Silva

No próximo dia 1 de Fevereiro vai ter lugar no CCC a apresentação da Festa da Cerâmica 2009 que tem como comissário o Historiador João Serra.
A apresentação do evento vai também proporcionar uma homenagem ao artista Ferreira da Silva que celebrou recentemente o 80º aniversário.

Associando-me ao acontecimento, publico aqui um postal muito interessante do artista, alusivo ao Natal, que faz parte da colecção do Valentino Subtil que amavelmente me permitiu partilhá-lo com os amigos que por aqui passam.

Ainda sobre o artista alguns dados biográficos:
Nasceu no Porto em 1928, mas foi em Coimbra que despertou para a arte, ao ingressar na escola Avelar Brotero.
Aos 16 anos ingressa numa cerâmica do Bombarral, passa por Alcobaça e chega à Secla aos 26 Anos para chefiar a secção de pintura.
Em 1949 integra um grupo de figuras seleccionadas para expor na Gulbenkian e em 1958 inicia a produção própria na oficina do Afonso Angélico que vendia numa loja do Chiado em Lisboa.
Mais tarde, Ferreira da Silva tornou-se designer, mas não abandonou a produção a partir da roda. Esteve também envolvido na criação do Cencal - Centro de Formação Profissional para a Indústria Cerâmica, nas Caldas da Rainha, onde deu formação e realiza projectos especiais sob encomenda.

"puchei" este comentário para a face do blog porque o considero um contributo muito interessante:

Um verdadeiro artista! Tive a sorte de conviver com ele, a esposa e os dois filhos, quando moravam no Bairro da Ponte. Ele conheceu o meu pai na fábrica "Coimbra Frutuoso",e desde essa altura tornaram-se inseparáveis!Quando chegaram ao Bombarral para trabalharem na fábrica "Cerâmica Bombarralense", morreram de amores por duas amigas naturais daquela terra e casaram-se. Ele com a Maria José e o meu pai com a minha mãe. Quando chegaram à SECLA conheceram a Madame Hansi Staell, pintora húngara. Foram amigos do saudoso Hernâni Lopes,antigo professor de desenho da Escola Comercial e Industrial das Caldas da Rainha,cenógrafo da RTP desde 1957 e amigo lá de casa (tenho um quadro pintado por ele, como oferta de casamento).Mais tarde o meu pai teve a oferta da SEOL e lá ficou a SECLA pelo caminho.Ao remexer nas minhas recordações, encontrei este programa da festa de Natal de 1956 que acho muito interessante, pois figuram os nomes de meus pais, o meu,o Ferreira da Silva,a Madame Staell e o Hernâni Lopes...e eu lembro-me disto como se fosse hoje! O grande Hernâni faleceu em 1997. Actualmente, a esposa de Luis Ferreira da Silva,Maria José encontra-se ausente de Portugal,um dos filhos encontra-se a viver na Suiça e o outro em Lisboa e eu tenho as gratas lembranças de ter brincado com eles...


Lurdes Peça

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O TGV

Nesta altura dos acontecimentos já toda a gente “botou faladura” sobre o TGV. Para não correr o risco de ser ostracizado pela sociedade vou também dar a minha opinião.
Não pondo em causa as maravilhas da mecânica que permitem um comboio deslocar-se a velocidades supersónicas questiono-me se traz algumas vantagens este tipo de transporte.
O TGV é um transporte pensado para países, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo, por isso esta não foi opção para países como a Noruega, Suécia, Holanda muitos outros países ricos mas com pouca extensão.
Tirar 20 ou 30 minutos ao Lisboa-Porto à custa de um investimento de cerca de 7,5 mil milhões de euros não trará qualquer benefício à economia do País. Segundo li a participação económica da comunidade europeia é de cerca de 2 mil milhões de euros. E que tal abandonar este projecto megalómano e aplicar algumas verbas a melhorar a rede de comboios tão mal aproveitada.
Actualmente a diferença para o anuncio que se reproduz, é o preço, porque de Caldas a Lisboa continua-se a demorar 3 horas , para percorrer os 80 km que nos separam da Capital.

domingo, 18 de janeiro de 2009

18 de Janeiro de 1934

Hoje vou contar uma pequena história que nesta altura do ano relembro sempre.
Nos anos oitenta fui à Marinha Grande, pois precisava de comprar umas embalagens de plástico que uma fábrica de lá produzia.
Como não sabia bem onde ficava a unidade fabril em causa entrei numa “tasca” para perguntar. Numa mesa ao canto estava um “Velhote” que me deu a informação, não sei porquê fiquei na conversa com este amigo durante bastante tempo.
Fiquei a saber que fizera parte do levantamento operário que em 18 de Janeiro de 1934 (e não 38 como inicialmente tinha, mas o Prof. João Serra é um leitor atento) fez tremer Salazar.
O movimento que contestava a ordem dada pelo ditador de proibir os Sindicatos, provocou a revolta dos trabalhadores que levou ao assalto de postos policiais, bloqueios da linha férrea e outras ocupações em vários pontos do País, mas foi na Marinha Grande que o movimento teve maior expressão.
Este meu amigo falava do acontecimento com grande entusiasmo, contou-me que tinha participado no assalto à estação dos correios.
Contudo, rapidamente, a PIDE e as forças militares da Infantaria 7 e Artilharia nº 4, puseram fim ao movimento.
Não me lembro do nome deste amigo que partilhou comigo aquele momento, lembro apenas que tinha um boné “à Lenine”.
Com o passar dos anos percebo melhor a nostalgia com que ele falava da sua revolução, é semelhante à minha quando se fala do 25 Abril…já ninguém se lembra.

A história de um País também é feita desta gente.

Foto: Arquivo da Marinha Grande

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Caldas intemporal XVIII – Rua de Camões



Esta é uma rua das Caldas com um peso histórico enorme.
Segundo o manuscrito de P.M.Jorge de São Paulo esta rua por alturas da construção do Hospital Real em 1534, era designada Rua das Oliveiras.
No Rol dos Confessados de 1656 é designada por “Rua de Baixo” com 11 fogos.
Em 1855 é citada numa deliberação da Câmara, que manda fazer obras no Largo da Copa, para que as águas que correm na Rua Direita possam seguir para a Rua de Baixo.
Em sessão de 1 de Setembro de 1856 foi designada por “Rua do Olival de Baixo”

-“Foi presente Joaquim Fadista, e requereo pª tirar pª a Rua do Olival de baixo uma porção de esterco – athe o conduzir para as suas fazendas – foi-lhe concedido pelo espaço de quatro dias”

Nos anos seguintes encontram-se várias referências a esta rua.
Em sessão de 7 de Junho de 1880 o Presidente da Câmara Dr. Carril Barbosa pedia aos vereadores para comparecem na Rua do Olival de Baixo, que foi alvo de obras, para a cerimónia da nova denominação que ficaria “Rua de Camões”. As tabuletas em ferro com o nome da rua foram oferecidas por Miguel Queriol como consta da acta de 5 de Julho seguinte.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Estas botas já têm dono

Aqui está o “post” que estava na forja para publicação há alguns dias.
Agora é oficial: Do alto dos meus cabelos brancos sou um Avô respeitável.
A minha filhota deu à luz um rapagão de seu nome Afonso.
Já fui à maternidade apresentar-me ao novo rebento e já deu para ver o seu perfil: vai ser lutador como a Mãe, vai ter a perspicácia e o bom senso do Pai, da Tia vai herdar o bom humor, da Avó a ternura e se for esperto como o Avô vai ser um Sportinguista à maneira.
….E mais não digo porque a baba já escorre pelo teclado.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Uma Revista de B.D.

Hoje vou escrever sobre uma revista de B.D. que ninguém conhece.
Trata-se da “Juve BêDê” que como o título indica fala sobre Banda Desenhada e é editada pela Associação Juvemedia.
No número 40, entre outros artigos, publica-se umas tiras que se caracterizam por uns desenhos “foleiros” mas com uns textos engraçados que são autoria da Joana Leite Silva.
Diz a revista sobre a autora:
…. A Dupla personalidade é uma webcomic portuguesa de carácter minimalista que segundo a autora é sinónimo de “incapacidade para o desenho”. As primeiras tiras surgiram em 2006 no Blog “Dupla Personalidade” que já conta com mais de 400 tiras publicadas regularmente.
No “currículo” da autora consta publicações no e-zine Inépcia, no blog do Nuno Markl e outras duas tiras no Blog das Produções Fictícias.
Em Maio de 2007, algumas tiram foram transformadas em marcadores de Livros a fim de promover o Microfestival de Banda Desenhada de Aveiro.

A tira em baixo, e outras, podem ser vistas no Blog “Dupla Personalidade

Só falta acrescentar que a Joana é minha filha.