terça-feira, 15 de janeiro de 2008

a história de uma samarra

Corria o ano de 1959, começava eu a desfolhar as primeiras páginas do livro da 1ª classe e morava na Rua Afonso Enes, quase junto ao Largo do Estragado, hoje pomposamente chamado de Largo do Colégio Militar.
Feito o enquadramento da época, vou contar uma pequena história.
Nesse ano a minha Família recebia o convite para irmos ao casamento de uma Tia, que iria ter lugar no Painho. Como nessa altura o pronto-a-vestir era um conceito que não existia, pelo menos para as classes médias-baixas, a minha mãe que era costureira de profissão meteu mãos à obra e na véspera do casamento, vá de fazer uma “Samarra”para eu levar ao acontecimento. Passei a noite a dormir ao lado da minha mãe que me acordava diversas vezes para a “prova” do casacão.
No dia seguinte lá fui eu com grande orgulho metido na minha “Samarra” e tive o cuidado de dizer a toda a gente “Foi a minha mãe que fez”.

A minha mãe partiu hoje……já não me faz mais “Samarras”.
Fica a recordação das coisas boas que vivemos.

5 comentários:

Maria disse...

Deixo-te um abraço....
... e saio devagarinho....

TINTA PERMANENTE disse...

Talvez a mais singular homenagem que li. Por isso mesmo... grande!

Um abraço!

J. L. Reboleira Alexandre disse...

Zé, os nossos dias de hoje já são cada vez mais os bons momentos de ontem, que os maus nem nos lembramos deles.

Um abraço de amizade e força para continuares.

gaivota disse...

a minha mãe também já não faz mais "samarras"...
linda homenagem,
ficamos com a recordação
de "samarras", ou de pão...
um beijo

jose disse...

Olha Ze
Essa "samarra" e igual a outra "samarra " feita pela minha mãe, lagrimas escorreram com muita saudade !
Bem hajas
Abraço