quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O Bairro da Ponte

Em Abril deste ano publiquei aqui umas fotos do Largo Frederico Pinto Basto, e dizia a propósito:
O largo fica no Bairro da Ponte, junto à Farmácia Perdigão, antes Correia Mendes.
Este Largo faz parte da minha infância, pois o Bairro da Ponte foi a minha “casa” durante largos anos e obviamente acompanhei a evolução urbana deste espaço aqui bem documentada nesta foto.
Deste largo tenho a recordação do “café do Diamantino”, da sede dos Pimpões, dos bailes dos Santos Populares e das noites de conversa passadas no muro do Chafariz.
Nos anos sessenta e setenta, o Bairro da Ponte era um bairro eminentemente operário, aliás, para a cidade, este foi sempre o bairro do “outro lado da linha”.
Claro que com a deslocalização das pessoas, este sentimento já não faz sentido; além disso, o Largo está lindo e tem o “Café Creme” onde servem uma bica quase tão boa como a simpatia do Abílio e do Vitor que são os responsáveis por eu atravessar a cidade diariamente para a bica da noite.


Esta semana o amigo José Brás dos Santos teceu um comentário, sobre aquele espaço e como achei muito interessante recuperei para a “cabeça do Blog” o texto que me chegou.

...Curiosamente é um largo que faz parte da minha infância, adolescência e idade adulta. Para mim, o «Café do Diamantino» nunca foi o café do Diamantino. Foi sim, o café da Ema (a esposa do Sr. Diamantino), onde muito brinquei, comia as sombrinhas Regina e os gelados da Rajá. Curiosamente o nome do Café é Rafael Bordalo Pinheiro e entre distintos frequentadores teve o saudoso Zeca Afonso, com qual tive o prazer de conversar por diversas vezes.
A farmácia Correia Mendes, agora Perdigão, sempre foi para mim a farmácia do Sr. Humberto. Antes do novo edifício, no primeiro andar havia um alfaiate e na Rua Dr. Augusto Saudade e Silva, onde está hoje o estacionamento da farmácia, lembro-me bem de existir um sapateiro conhecido, se não me falha a memória, por «Pila».
Passei bons tempos de estudo Universitário, aos fins-de-semana, no Café Creme na década de 80, na época o dono era um sobrinho do Sr. Diamantino.

Longe vão os tempos em que os moradores da Rua Dr. Augusto Saudade e Silva e do Largo Frederico Pinto Basto se conheciam bem uns aos outros. Eram os tempos dos meus avós e da geração da minha mãe.
Hoje quando lá chego, é uma tristeza. Mataram a alma do Bairro da Ponte dos meus tempos de infância. Dos tempos em que passava pela vivenda do Dr. Costa e Silva e a sua esposa – que sempre tratei e conheci por a Madame, sem saber o seu nome – me oferecia algumas das deliciosas framboesas por ela cuidadas.

1 comentário:

Anónimo disse...

Há um café que não pode ser esquecido, pois no tempo do "antigamente" era o local onde os meninos que não tinham televisão em casa, nem dinheiro para gastar, tinham duas filas de cadeiras, bem na frente, para verem televisão, o que no outro café não era possível,pois só entrava quem fazia despesa, os sem dinheiro não entravam, falo do café do "Quim Leiteiro". A catedral do matraquilho.