quinta-feira, 16 de julho de 2009

Palma Inácio – o último revolucionário

Na terça-feira passada, morreu o militante histórico do PS, Hermínio da Palma Inácio, um dos revolucionários que mais dor de cabeça deu ao “Estado Novo”.
O fundador da LUAR (Liga de Unidade e Acção Revolucionária) foi protagonistas de acções que o tornaram célebre.
Em 1956 desviou um voo comercial da TAP e sobrevoou Lisboa, Barreiro, Setúbal, Beja e Faro a baixa altitude para lançar cerca de 100 mil panfletos com apelos à revolta popular contra a ditadura.
A sua vida foi marcada por um combate constante contra o Estado Novo, tendo sido preso diversas vezes pela PIDE, destacando-se uma passagem pelos calabouços do Aljube, onde protagonizou uma fuga histórica.
Outra das acções de grande envergadura em que participou foi no assalto à dependência do Banco de Portugal na Figueira da Foz, (Operação Mondego) concretizada em 17 de Maio de 1967 com Camilo Mortágua, António Barracosa, e Luís Benvindo. O assalto foi reivindicado como operação manifestamente política pela LUAR.
Sobre esta operação, conta-se que Salazar teria comentado:
"Ainda em 1967 bandidos comunistas assaltam a dependência do Banco de Portugal na Figueira da Foz e fogem com o dinheiro, que não é pouco. Mas o que é que andam a fazer a PIDE e a GNR e a PSP? Até essas forças já me falham?"
O último e mais espectacular plano de Palma Inácio não chegou a consumar-se. Propunha-se ele ocupar com elementos da LUAR a cidade da Covilhã, cujos acessos, incluindo estradas e pontes, seriam cortados com explosivos. A população seria evacuada e a PSP e a GNR desarmadas.

No dia 25 de Abril de 1974, Palma Inácio estava preso em Caxias, onde recebeu por código morse as primeiras notícias da Revolução.

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