sábado, 25 de novembro de 2006

Caldas de outros tempos - Pastelarias

A Pastelaria Machado deve ser das casas mais antigas de Caldas da Rainha, ainda em actividade. A sua origem remonta ao século XVIII com a Casa Fausta. Gertrudes Fausta uma das célebres irmãs Fausta, que parece ter sido uma das conserveiras de maior fama e que mais contribuiu para a manutenção de uma actividade emblemática das Caldas: as Cavacas e as trouxas-de-ovos.
Nesse tempo, eram ainda confeccionados alguns doces tradicionais, hoje ignorados, tais como: O "Manjar de Tornada" e os célebres "Cacos".
As irmãs Fausta foram contemporâneas, no final do século XIX, da Cavacaria das Mendricas (na actual Praça da República) onde se reuniam Rafael Bordalo Pinheiro, Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, Columbano, Lopes de Mendonça, António de Andrade (então tenor em início de carreira), o Padre António (de Almeida) de Óbidos (conhecido pela sua bela voz de barítono, bem como pelas pescarias e caçadas que organizava), Gomes de Avelar (editor dos Cavacos das Caldas e ceramista local), os maestros do Club de Recreio (Gaspar e depois Taborda), e Mariano Pina. Por vezes também cavaqueavam no café da Adelaidinha da rua Direita - onde mais tarde ficaria a pastelaria Gato Preto.
Nesta época, havia ainda as seguintes casas e ou conserveiras: a Maria Carolina de Albuquerque (Já existia em 1887), a Cavacaria Pires (abriu em 1892) e a Cavacaria Central (abriu em 1897) - ambas no largo das Gralhas (actual largo Dr. José Barbosa); a Gertrudes e a Mariana Rodrigues Valada (também citada em 1883 por Silvano Lopes) ambas na rua Nova; a Cecília Santos na rua Direita; a Viúva Nunes, a Cesária Coelho e a Mariana César já tinha casa aberta em 1884) - todas na então praça Maria Pia; a Jesuína Garcia na rua General Queirós; o Pedro Prudêncio (emblema do Gato Preto) na rua do jardim nº 52 - premiado na Exposição de Paris de 1900; e a Cavacaria Conde, situada primeiro na Praça Maria Pia e depois na rua Direita (actualmente rua da Liberdade), que desde 1895 anunciava um doce que já não se prova nos dias de hoje - os Pastéis de D. Leonor.
Postal que retrata a Rua de Camões, onde se situa a Pastelaria Machado.

As Irmãs Fausta influenciaram as gerações seguintes de doceiras que fizeram época sobretudo no 1º quartel do século XX, tais como: as Carneirinhas: a Jade: a Adelaide Augusta do Café Sport na praça da Republica; a Flor de Liz na Rua Heróis da Grande Guerra - depois na Av. da Independência Nacional e, nos anos 30, na praça da República; O Africano de Francisco António dos Santos - na Rua Almirante Cândido dos Reis; a Maria Regina Garcia Pereira - e mais tarde a sua filha Regina - no largo do Conselheiro José Filipe; e o Joaquim Machado, na rua Camões, que herdaria a tradição da antiga casa Fausta.
Joaquim Machado desenvolveu a sua arte da doçaria, sobretudo, na primeira década do século XX (vendia as suas famosas trouxas a meio tostão cada) . A Cavacaria Machado, como ficou a denominar-se o estabelecimento, foi tomada de trespasse, em Maio de 1927, pela sociedade de Tiago Leopoldo Perez, que em Maio de 1928 adquiriu a denominação Tiago e Perez Lda.. Ainda hoje existe e é gerida por Herdeiros deste último.

(Pesquisa: Caldas da Rainha de Vasco trancoso, revistas da época, Jornal “O Expresso” e Publicações da Associação Comercial.)

4 comentários:

Quinas disse...

Olá, como está?

Parabéns pelo excelente blog!

Eu sou o autor do blog «Equipas do Passado» e (depois de ler o seu post de 26-Ago-06) gostaria de colocar no meu blog pelo menos uma equipa do Caldas Sport Clube dos anos em que andou na 1.ª Divisão Nacional, que foi na segunda metade dos anos 50.

Gostaria de perguntar se alguém me poderia dizer onde posso conseguir dados sobre essas equipas do Caldas S.C., mais propriamente nomes de jogadores?

Será que algum dos seus leitores se lembra dessas equipas do Caldas SC?

Se precisar de me contactar, aqui vai o meu e-mail: quinasdabola@yahoo.com

Obrigadíssimo,
Quinas

Anónimo disse...

No texto publicado, refere que o Manjar de Tornada tem sido ignorado, vejo que o sr. não tem estado atento e actualizado, essa sua afirmação é totalmente errada e enganosa.

No site www.manjardetornada.com encontrará o historial do doce Manjar de Tornada, considerado o ponto forte da gastronomia pela Região Oeste, existente há mais de 65 anos e inventado pla minha familia.

«Manjar de Tornada, Doce de Família!



Inspirado nos Doces Conventuais, foi inventado há mais de sessenta e cinco anos, pela mãe da Família Polónia, D. Olívia, que sendo muito boa doceira e com muito bom gosto, se lembrou de o comercializar.

Primeiro vendido na Casa Pinheiro, restaurante, propriedade do casal Polónia e ainda numa pastelaria das Caldas da Rainha, que havia à data na Rua Almirante Cândido dos Reis, mais conhecida por Rua das Montras, era vendido em tacinhas de barro, feitas de propósito para o doce e envolto em papel vegetal com o seu nome e desenhado um pinheiro.

Mais tarde, D. Olívia quis dar o segredo do doce a sua nora, que mostrou interesse em continuar a comercializá-lo; nessa altura a expansão do doce aumenta e foram vários os restaurantes das Caldas que o vendiam, como por exemplo a extinta Pensão Portugal, o Marinto e ainda os restaurantes Tijuca e Príncipe Perfeito. No restaurante "O Cortiço" foi onde o doce teve mais sucesso e se vendeu mais, dado ser em Tornada que se situa este restaurante e o doce ser uma homenagem à Terra.

O verdadeiro Manjar de Tornada volta a ser comercializado.

Durante os últimos anos, por vários motivos, o verdadeiro Manjar de Tornada não tem sido confeccionado por quem de direito. Começaram a surgir imitações nada parecidas, pois o segredo não tinha sido cedido a ninguém.

Agora o Manjar de Tornada vai ser de novo fabricado, pela mesma fonte familiar, principalmente para ser vendido no Manjar de Tornada, Produção de Eventos, Lda., empresa cujo Gerente/Proprietário é bisneto e neto, sendo exactamente por isso que foi posto o nome em honra ao doce e à sua família.»

MANJAR DE TORNADA é Marca Registada , por mim.

MRP disse...

Muito interessante! Por acaso não me saberá dizer onde é que eu posso saber mais sobre esse grupo do qual faziam parte Rafael Bordalo Pinheiro, o Padre António entre outros?

Abraço e parabéns pelo blog!

Anónimo disse...

Poderei dar uma ajuda ao quinasdabola@yahoo.com, pois fui autor de uma crónica na Gazeta das Caldas nos anos 92/94 intitulada Album de Memórias. Onde intrevistei diversos jogadores desse tempo.
PS: Basta solicitar na gazeta.
comprimentos
carl.col@hotmail.com