quinta-feira, 24 de abril de 2008

Madrugada de esperança








Como o tempo passa.
Trinta e quatro anos já nos separam daquela madrugada inesquecível para a minha geração, que viveu intensamente a “Revolução dos Cravos” bem como o período do PREC.
Quase que respondendo à pergunta “onde estavas no 25 de Abril”, recordo que estava na tropa no Quartel de Paço de Arcos e curiosamente estava de “Sargento de Piquete”.
Fui alertado para o movimento por volta das cinco da manhã e lembro-me que tive perfeita consciência que a vida das pessoas se transformaria a partir daquele dia.
Para ilustrar este post utilizei a primeira página dos jornais “A Capital” e o “Diário de Lisboa”. Os jornais já desapareceram e os ideais de Abril também.....
Ficou uma sociedade cinzenta que acha tudo normal e até o direito à indignação perdeu.

2 comentários:

Maria disse...

Costumo ler o teu blogue, como sabes, sem comentar.
Mas hoje há aqui uma frase que não posso deixar passar. ..."Os jornais já desapareceram e os ideais de Abril também....."
Os ideais de Abril também? Então como é que explicas o movimento de massas que tem vindo num crescendo desde Outubro do ano passado? como é que explicas 100 mil professores na rua, no dia 8 de Março, para flar apenas na última grande manifestação?
(nem te falo nos mais de 200 mil à porta do local onde o "tratado do porreiro pá" foi assinado)...
Na minha opinião, modesta, claro, é só a minha, os ideais de Abril estão mais vivos do que há 20 ou 30 anos......

Um cravo vermelho para ti

J. L. Reboleira Alexandre disse...

Se o Zé Ventura estava em Paço de Arcos, eu estava de Sargento de dia na cidade das Águas Mornas, (fazendo a ronda da noite) e preparava-me para calar um transistor de um soldado que ficara inadvertidamente ligado naquela noite muito especial, quando ouço os primeiros acordes de Grandola, a voz do Zeca, e logo a seguir a mensagem que todos hoje conhecem do MFA. A emoção era mais que muita, as mãos tremiam segurando a G3,já não desliguei o rádio e fiquei acordado até de manhã. O bilhete de avião para Angola ainda não estava reservado, mas não tardou muito.Durante a minha estadia naquele lindo país onde pensei logo em obter o meu primeiro passaporte, assisti, no Verão de 1975, a factos que ainda hoje são dificeis de recordar. O sofrimento das populações, brancos e de côr eram demasiado fortes para se ficar indiferente. Do desespero ao suicidio, a distância era mínima. Tenho uma história de um «retornado» do Chão da Parada que me arrepia. No regresso de África a desilusão foi imensa. Poucos meses passaram e paguei do meu bolso desta vez, novo bilhete, e de novo na TAP. Não mais parei de viajar depois disso e não estou arrependido.

Todos deveriamos poder procurar a liberdade e a felicidade onde ela se encontra, e como sabemos, ainda hoje há imensa gente que a ela não tem acesso, continuando a pôr a vida em risco na busca dos mesmos.

Que o povo português nunca mais perca o direito de dizer, basta.