segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

O Hospital Termal

Hoje um amigo coleccionador ofereceu-me estas vinhetas comemorativas do quinto centenário do Hospital Termal.

Esta unidade que remonta a 1485 ano em que D. Leonor, mulher dedicada às artes e à assistência aos necessitados, mandou edificar o hospital. Tal iniciativa terá sido tomada depois de, ao passar na zona, a rainha ter observado gente humilde a banhar-se em água enlameada para acalmar dores e sarar feridas. Como padecia de uma úlcera no peito, resolveu seguir o exemplo e ficou rapidamente curada.
Durante muito tempo, este foi o único - hospital termal do mundo, de cujo património fazem também parte as igrejas de Nossa Senhora do Pópulo e de São Sebastião, a Mata Rainha D. Leonor, o Parque D. Carlos I e o Museu do Hospital, lugares, todos eles, interessantes e cuja visita constitui um verdadeiro mergulho na História.
Depois de ter estado encerrado para obras devido a uma bactéria prejudicial à saúde que ali se instalou, o Hospital Termal continua a cumprir o objectivo para que foi criado, mas de forma limitada.

2 comentários:

J. L. Reboleira Alexandre disse...

Todos nós aprendemos na antiga escola primária que o Hospital das Caldas é o mais antigo do Mundo. Como ficàmos a conhecer a padeira de Aljubarrota. Para esta, basta ler a mesma história escrita em castelhano para ver que talvez não tenha sido bem assim. Quanto ao nosso hospital basta saber que um dos países do Mundo mais famosos pelas suas termas, a Turquia, na região da Anatólia Central tem centros hospitalares cujos benefícios na pele devido às propriedades das suas águas são universalmente conhecidos desde a altura da construção do primeiro verdadeiro hospital no ano de 1218 por ordem do Sultão Yzeddin Keykavvs. Ainda hoje a Turquia é um país de destino de férias pelas suas águas termais. Infelizmente as Caldas hoje não o são, e a culpa é de todos nós. A mesma história a maior parte das vezes é diferente de região para região, de país para país.

Artur R Gonçalves disse...

O nosso amigo J. L. tem toda a razão. Pelo menos no que se refere à obra da «rainha». Sobre os feitos das «padeira», haveria que investigar do outro lado da fronteira. Se, como diz, o «hospital» construído na Anatólia Central por ordem Sultão Yzeddin Keykavvs data de 1218, então o mandado edificar em 1485 pela rainha D. Leonor de Lancastre é, forçosamente, mais recente. Todavia, nenhum dos centros termais da Turquia pode reclamar o título do «mais antigo do mundo». Basta pensar nas termas erigidas entre 212 e 217 em Roma, durante o governo do Imperador Caracala, para recuarmos algumas centenas de anos. Depois, seria ainda necessário referir que os mais antigos banhos públicos romanos de que há memória remontam ao séc. v a.C. e se situavam em Delos e Olímpia, na actual Grécia. Enfim, a higiene/terapia pela água parece ser tão antiga como a própria civilização ocidental que, segundo se julga saber, foi beber essa práticas multisseculares às mais recônditas paragens então conhecidas. O Hospital da Rainha pode orgulhar-se das suas particularidades únicas. Ter sido pensado como uma unidade termal completamente gratuita aberta a todas as classes sociais. Os banhistas eram alojados indistintamente no hospital (com o sentido de hospedaria, albergue, pousada…) como meros hóspedes (viajantes) em grandes enfermarias enquanto durasse a sua cura termal. Será que esse desejo da fundadora se mantém ainda nos nossos dias? Um boa proposta de investigação para o nosso amigo J. V., que continua bem mais próximo das «águas mornas» do que nós. Já agora, a vinheta representa o edifício «joanino» mandado construir pelo Magnânimo, em meados do séc. xvii. Da antiga fábrica «manuelina», pouco resta nos dias de hoje.