terça-feira, 13 de março de 2007

A Revolta das Caldas

Em 16 de Março de 1974 uma coluna de cerca de 200 militares do Regimento de Infantaria 5 (RI 5), das Caldas da Rainha, marchou para Lisboa, pensando que estava em marcha o golpe que derrubaria o Governo de Marcelo Caetano. Os actores desta tentativa frustrada não sabiam que tinha sido o ensaio geral que levaria ao 25 de Abril.

A "revolta das Caldas", como ficou vulgarmente conhecida a tentativa dos homens do RI 5, foi uma resposta directa ao acto de demissão, pelo Governo de Marcelo Caetano, dos generais Francisco da Costa Gomes e António de Spínola dos cargos de, respectivamente, chefe e vice-chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas. Foi, ainda, uma reacção emocional, militarmente activa, contra a sessão de obediência ao Governo de Marcelo, por este organizada, e que teve por actores a esmagadora maioria dos oficiais generais e da hierarquia das Forças Armadas - "o beija-mão", no dizer dos capitães, que teve lugar no dia 14 de Março, quatro horas antes de Costa Gomes e Spínola serem demitidos, por se recusarem a comparecer.
Como retaliação deste movimento cerca de duas centenas de oficiais, sargentos e praças foram detidos. Entre eles, todos os oficiais do RI 5 que faziam parte do movimento (Virgílio Varela, Fortunato de Freitas, Ivo Garcia, Silva Carvalho e outros) e importantes homens do sector spinolista do movimento relacionados com a revolta (Manuel Monge, Casanova Ferreira, Almeida Bruno, Marques Ramos). No 25 de Abril, uma parte importante dos oficiais mais perto do general Spínola - que o Governo considerava o sector mais perigoso do Movimento dos Capitães - encontrava-se detido no Estabelecimento Prisional Militar da Trafaria.

Pesquisa no DN de 17-03-1974 (Reportagem de José Manuel barroso)

2 comentários:

Anónimo disse...

A todos os que de alguma forma lutaram contra a ditadura (fascizante, obscura, inimiga da liberdade e dos direitos, escamoteadora dos deveres civicos, opressora e violenta) em nome de todos -anónimos e conhecidos- OBRIGADO!
É bem melhor " uma democracia imperfeita do que uma ditadura perfeita " e liderada por "grandes génios" (1)

José M. G. disse...

Pensava que passados estes anos sobre o 16Mar74, já se quizesse dizer mais qualquer coisa sobre o que se passou.Lamento que não tenham pedido à Dra.joana Tornada para informar o Águas Mornas sobre o que se passou e quem tomou poarte no Movimento.Como aqui foi referido além de só referir uma parte do problema , transformando desse modo a realidade, procura esquecer o que a outra corrente, não Spinolista, pretendia.O RI5 esteve desde o início com o Movimento de Capitães, tomou posição significativa na realização da reunião de Óbidos, onde pela primeira vez se falou em derrubar a ditadura, sempre cumpriu com a sua palavra, sempre assumiu a responsabilidade dos seus actos, nuito embora houvesse duas correntes ideológicas opostas dentro da Unidade.Deixo aqui bem claro que no 16 de Março as Forças saíram, porque tinham antecipadamente informado o seu Comandante que se algo acontecesse aos Generais Costa Gomes e Spíonola, que tomariam uma posição de força ( de acordo com o que tinha sido acordado com a Coordenadora do Movimento) e não porque o grupo do Varela o comandasse as forças, mas porque houve realmente confirmação de Lisboa que a ordem de marcha era dada pela Comissão Coordenadora do Movimento de Capitães, conforme o afirmou telefónicamente o Major José Maria Azevedo , embora no dia anterior Salgueiro Maia dissesse que não podia saír porque não tinha munições além das de Instrução.Depois aproveitou-se a situação como um balão de ensaio,para o 25 de Abril, como o referiu Otelo.