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sábado, 28 de fevereiro de 2026

CASAS COM HISTÓRIA – O VIVEIRO

Se eu começar este texto com o nome de Manuel Ferreira, certamente que perguntarão quem é ?, mas se eu falar do “Manel do Viveiro” toda a gente sabe de quem se trata.
Este nosso amigo transportou até aos nossos dias a sua firma “O Viveiro” e é bem visível o orgulho que ostenta por este percurso de 50 Anos.
Mas voltemos a 1970, para lembrar esta sua caminhada, quando o serviço militar o tirou do seu emprego na Secla e o levou até Moçambique, mais propriamente a Moeda. Deste período recorda com emoção as viagens que fazia pelas picadas com a sua Berliet, bem pesada, para resistir ao rebentamento de minas, e foram várias a fazer estragos.
Terminada esta fase, com os seus 23 anos, regressou à nossa cidade e naturalmente voltou à Secla, mas algum tempo depois mudou-se para a Traviata. Em conversa com o seu amigo Justino Abreu de Sousa, que na altura trabalhava na Garagem Caldas, acharam que os aquários eram uma boa aposta e em 21 de Fevereiro de 1976, constituíram a firma Abreu e Ferreira Lda, nome que se mantêm ainda hoje.
Recorda com saudade esta fase e lembra que os vidros dos primeiros aquários custaram 75 escudos que ficou a dever, pagando por duas vezes, ao “Velho” Joaquim Batista, um favor que nunca esqueceu.
A sociedade com o Justino terminaria dois anos depois e nos anos que se seguiram o negócio foi-se expandindo, tornando-se no fornecedor de aquários para toda a região, bem como outras valências de negócio, nomeadamente de tudo o que se relacionava com pássaros e animais de estimação.
Ajudou a montar algumas lojas na região e participou nas feiras da Fruta e Cerâmica nos anos 70, documentada na fotografia onde aparece a cumprimentar o General Ramalho Eanes, a quando na inauguração de uma destas feiras.
É bem conhecida a sua paixão pela columbofilia, e na sua montra pode-se ver fotos do seu pombo “Fibra” com várias medalhas alcançadas, nos seus voos de cerca 6.500 Km.
O meu amigo “Manel”, com os seus 77 anos, mercê da experiência acumulada,  continua a ser uma referência na arte de bem tratar todo o tipo de animais de estimação, e “O Viveiro” é sem dúvida uma loja que faz a diferença.






sábado, 21 de fevereiro de 2026

A PROPÓSITO DA CASA ANTERO

Em janeiro publiquei umas fotografias com um texto sobre a Casa Antero, no referido texto falava nas origens da Casa, nomeadamente do Sr. Antero trabalhar na taberna do Coradinho.
O meu amigo Leonel Cardoso, fez o favor de completar a informação, diz ele:
“Com todo o respeito pelas informações aqui dadas, informo que a primeira Taberna “CORADINHO”, situava-se na Rua Almirante Cândido dos Reis [Rua das Montras], até a Contratadeira D. Emília ?, ter comprado o terreno para construir o prédio que ainda hoje lá está. Esse prédio tinha como loja o Café do Sr. Martins que era tio do Anselmo, e hoje está a Túnica. Foi nesta altura que o CORADINHO passou para o Beco do Forno do lado direito e mais tarde para a local onde está hoje o Antero”
Com estas recordações, acrescentou uma fotografia da época, bem identificada pelo edifício onde antes da Sapataria Félix foi a Alfaiataria Campos!!!!!! e hoje está a “VIVA”.

sábado, 24 de janeiro de 2026

CASAS COM HISTÓRIA- CASA ANTERO

 No início da Década de 50, Manuel Calisto, que explorava a taberna “Coradinho” no Beco do Forno, convidou o seu sobrinho Antero Feliciano para trabalhar com ele.
Nessa altura, da estação dos comboios até ao “hospital dos banhos” existiam 58 tabernas nas Caldas, mas o número não assustou Antero Feliciano, na altura com 27 anos e a tropa feita, procurava dar um rumo diferente à sua vida e em 1 de Agosto de 1957, comprou o espaço ao tio por 10 contos (50 euros).
Nos anos sessenta a taberna do Beco do Forno era ponto de encontro dos homens que, entre copos, jogavam às cartas e ao dominó, e tinha uma clientela fiel sobretudo o pessoal da Fábrica de Móveis Serrano (que na altura dava emprego a 80 pessoas e se localizava onde é actualmente o Centro Comercial da Rua das Montras), os cobradores e motoristas dos Capristanos e também os mais de 30 funcionários dos Correios.
Em Setembro de 1958 Antero Feliciano casou com Olímpia Simão e levou-a para trabalhar na Casa Antero, começando a vender também comida. A segunda-feira era o dia de maior movimento pois era quando afluía à cidade grande parte da população das freguesias rurais.
Em 1987 o Paulo Feliciano e a Anabela assumem a gerência da Casa, embora o “Velho” Antero fosse presença assídua da casa de certa maneira para assegurar a transição.
Com o decorrer dos anos o negócio foi-se modernizando adaptando-se aos tempos , e hoje com os seus 69 anos de existência, continua a ser um ponto de referência das Caldas, devidamente divulgado pelas revistas e sites  da especialidade.
Falar da Casa Antero é falar do Paulo Feliciano, mas é injusto porque com ele há toda uma vasta equipa que nos delicia com saborosos petiscos, servidos com uma simpatia que nos deixa sempre com vontade de lá voltar. 




sábado, 22 de novembro de 2025

CASAS COM HISTÓRIA – MERCEARIA PENA

A Mercearia Pena festejou os seus 116 anos.
Sou frequentador da mercearia desse os tempos do Sr. Vítor, do Mané, do Silvestre, do Zé Lopes, e tantos outros que por lá passaram. Quando em 1998 o Sr. Alberto da Bernarda adquiriu a Mercearia Pena ao Sr. Vítor Ferreira Santos, mais conhecido por “Vítor do Pena”, esta foi renovada, mas manteve as características dos velhos tempos.
Esta mercearia, que é uma referência do comércio tradicional desde 1909, recebeu o Prémio Mercúrio em 2007,  que é atribuído às 5 melhores casas de Comércio Tradicional do País. Em 2009 também é distinguida pela Camara Municipal pelos seus 100 anos e pela excelência do serviço prestado á cidade. 
O Senhor Alberto, infelizmente já não está entre nós, mas deixou no seu filho, Rui da Bernarda, um excelente continuador que lhe dá garantias de sucesso.
Parabéns a todos os que tornaram esta casa num estabelecimento emblemático da cidade.




segunda-feira, 7 de abril de 2025

CASAS COM HISTÓRIA – JOSÉ RIBEIRO & FILHOS

A centenária loja José Ribeiro e Filhos, continua igual a si própria com a venda de tecidos e artigos de retrosaria.
Não se sabe bem qual a data da inauguração, mas nas minhas colecções tenho um livrinho editado pela Tipografia Caldense em 1918, que dá conta da existência do Armazém de fazendas de António Castanheira, e outro livro, o “Almanaque Caldense” de 1898, que anuncia no mesmo espaço a loja de Fazendas de Rodrigo Guimarães, que ao que se sabe seria o proprietário do edifício.
Nos anos cinquenta, José Ribeiro, que era funcionário da Casa, adquiriu o negócio ao Sr. Castanheira, para lhe dar continuidade, embora só a partir de 1961 é que assumiu a gerência a tempo inteiro.
No fim da década de 70, com apenas 17 anos de idade, o actual proprietário, Rogério Ribeiro, assumiu a gestão do estabelecimento, em conjunto com a sua Irmã. Céu Ribeiro.
Não foi fácil porque não tinham experiência no ramo e a loja tinha um volume de clientes interessante, embora tenham incrementado uma gestão mais adequada aos tempos, mantiveram o visual do estabelecimento de onde sobressai um grande balcão corrido em madeira pintado de verde.
 A venda de Cobertores de algodão e chapéus de palha fora dando lugar a outros produtos, como tecidos para bordar ou telas de pintar.
Rogério Ribeiro é o rosto da casa que explora há mais de quatro décadas
Há uma outra faceta pela qual o Rogério é muito conhecido nas Caldas. Tratam-no por mestre porque há vários anos que é ligado ao judo fazendo parte do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Judo.




sábado, 11 de janeiro de 2025

CASAS QUE FIZERAM HISTÓRIA – HENRIQUE MARTINS

Henrique Martins nasceu nas Caldas da Rainha e foi um reconhecido electricista de automóveis, aprendeu com Carlos Benjamim, um dos primeiros electricistas das Caldas, trabalhou durante alguns anos em Lisboa mas em 1956 abriu a oficina na Rua do Montepio.
Não era um homem de trato fácil, mas devido à sua competência conseguiu angariar boa clientela.
Esta empresa chegou a ter 16 funcionários, entre eles empresários como José Sebastião,  teve períodos de grande azáfama.
José Augusto, um antigo colaborador, contou-me um dia que nos anos 70, quando se tornou obrigatório os carros terem pisca-pisca, chegaram a ter filas de espera de algumas dezenas de viaturas que se estendia pelas ruas mais próximas, isto porque como se sabe a oficina é pequena, aliás segundo o Virgílio Maia, as cantarias da porta foram desbastadas para que as camionetas do Thomaz dos Santos pudessem entrar para reparação.
A reconstrução de baterias era uma das vertentes de grande importância na altura, como se podia ver pela publicidade gravada na parede.  
Em 1980, Henrique Martins vitimado por doença faleceu, ficando a sua esposa à frente do negócio em parceria com os funcionários.
Com a reforma do José Augusto, a empresa ficou para o Virgílio Maia que entrou em 1965, e do Miguel Silva que se juntou à equipa em 1972.
Com o decorrer dos anos, a reparação das viaturas sofisticou-se e naturalmente a oficina foi perdendo o fulgor de outros tempos e acabou por encerrar  por volta de 2020.