quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Os Caramelos da Bola

Eu confesso que pertenço aquele grupo de pessoas que normalmente são conhecidos pelos “maluquinhos das colecções”, entre outras coisas tenho uma colecção interessante de cadernetas de Cromos de futebol, curiosamente, e para pena minha, nunca consegui adquirir nenhuma com a equipa do Caldas, portanto dos anos 1956 a 1959, altura em que o Caldas militou na 1ª Divisão.
Mas a net tem destas coisas, o Cantinho do Faustino, juntou aos seus arquivos estes “Caramelos da Bola” e eu não resisti em “roubar” estas imagens tão interessantes para escarrapachar aqui no meu Cantinho.
As imagens falam por si.




sábado, 5 de fevereiro de 2011

…E lá se foi o 31

Não sou muito de prestar “vassalagem” aos jogadores de futebol, porque entendo que são profissionais muito bem pagos e é sua obrigação servir a entidade patronal jogando bem ou pelos menos “dar o litro”.
Como é evidente isto no Sporting não tem acontecido, julgo que tem muito a ver com a falta de liderança.
Mas toda a regra tem excepção, e Liedson é um destes casos, ainda na Sexta-feira, no seu último jogo pelo Sporting, voltou a dar uma lição de profissionalismo e mostrar a alguns pseudo jogadores da bola o que é exigência competitiva.

Ao fim de oito anos pensou “Já chega de andar a correr para estes gajos” fez as malas e rumou até ao Corinthians.

Pessoalmente vou ter saudades deste 31, e julgo que o Campeonato Português fica mais pobre.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Jaime Cortesão – Romance do Homem da Boca Fechada

Ao ver umas belíssimas fotografias de Eduardo Gageiro, a de Jaime Cortesão despertou em mim recordações dos meus tempos de tropa.
Em 1974, quando eclodiu a Revolução de Abril, estava no Quartel de Paço D’Arcos, eu e um grupo de “revolucionários” assumimos a feitura do Jornal de Parede, que até à altura era o jornal do regime. Lembro-me perfeitamente que uma das primeiras colagens que lá foi posta foi este poema de Jaime Cortesão – “Romance do Homem da Boca Fechada” , Este poema circulou clandestinamente nos anos trinta.
A fotografia como disse é de Eduardo Gageiro tirada em 1962.

- Quem é esse homem sombrio
Duro rosto, claro olhar,
Que cerra os dentes e a boca
Como quem não quer falar?
– Esse é o Jaime Rebelo,
Pescador, homem do mar,
Se quisesse abrir a boca,
Tinha muito que contar.

Ora ouvireis, camaradas,
Uma história de pasmar.

Passava já de ano e dia
E outro vinha de passar,
E o Rebelo não cansava
De dar guerra ao Salazar.
De dia tinha o mar alto,
De noite, luta bravia,
Pois só ama a Liberdade,
Quem dá guerra à tirania.
Passava já de ano e dia…
Mas um dia, por traição,
Caiu nas mãos dos esbirros
E foi levado à prisão.

Algemas de aço nos pulsos,
Vá de insultos ao entrar,
Palavra puxa palavra,
Começaram de falar
- Quanto sabes, seja a bem,
Seja a mal, hás de contá-lo,
- Não sou traidor, nem perjuro;
Sou homem de fé: não falo!
- Fala: ou terás o degredo,
Ou morte a fio de espada.
- Mais vale morrer com honra,
Do que vida desonrada!

- A ver se falas ou não,
Quando posto na tortura.
- Que importam duros tormentos,
Quando a vontade é mais dura?!

Geme o peso atado ao potro
Já tinha o corpo a sangrar,
Já tinha os membros torcidos
E os tormentos a apertar,
Então o Jaime Rebelo,
Louco de dor, a arquejar,
Juntou as últimas forças
Para não ter que falar.
- Antes que fale emudeça! -
Pôs-se a gritar com voz rouca,
E, cerce, duma dentada,
Cortou a língua na boca.

A turba vil dos esbirros
Ficou na frente, assombrada,
Já da boca não saia
Mais que espuma ensanguentada!

Salazar, cuidas que o Povo
Te suporta, quando cala?
Ninguém te condena mais
Que aquela boca sem fala!

Fantasma da sua dor,
Ainda hoje custa a vê-lo;
A angústia daquelas horas
Não deixa o Jaime Rebelo.
Pescador que se fez homem
Ao vento livre do Mar,
Traz sempre aquela visão
Na sombra dura do olhar,
Sempre de boca apertada,
Como quem não quer falar.


sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

"A Cêrca do Burlão"

No Blog dos Antigos alunos da Escola, vieram a terreiro algumas recordações sobre o “Burlão”, a propósito disso e de outros “posts” o meu amigo Fernado Santos enviou esta imagem da “Cerca do Burlão” com o seguinte texto:

A propósito dos folhetos de propaganda dos Hotéis Copa e Edem-Palace, lembrei-me deste mapa. Não me recordo se já o tinha enviado. Vem num livro antigo sobre o Hospital Termal. Conforme podes ver é de 1926, e entre outros pormenores chamo a tua atenção para a “cêrca do Burlão” (é assim que lá está escrito) e a da Maria Carolina. Vê como eram as Caldas naquele tempo, como sei que te interessas pela história das Caldas
Aqui vai uma pequena participação.

Um abraço.
Fernando Santos.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Uma volta por Baião

Um dia destes passei por Baião onde bebi um café com um Amigo e trocámos dois dedos de conversa.
Tirei algumas fotos desta cidade que é associada à vida natural, isto porque é um dos concelhos com maior área verde e floresta.
Baião tem um aspecto muito “limpinho” e bem arrumada, vale a pena uma volta por aqueles lados e apreciar os recursos naturais de rara beleza como a Serra da Aboboreira, a Serra do Marão, a Serra do Castelo de Matos ou os rios Douro, Teixeira e Ovil.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Quem vai subir esta encosta?

Na segunda-feira, 17 de Janeiro, cumpre-se mais um dia de Santo Antão.
Quem conhece a região sabe da importância deste dia para o Concelho de Óbidos, é uma romaria muito interessante.
Nos meus tempos de Escola era quase um sacrilégio não ir ao Santo Antão, Chouriço assado, com fartura, vinho, muito, e alegria aos jorros.
Nos últimos anos fui lá algumas vezes quase de passagem, vamos lá ver se na próxima segunda-feira tenho um bocadinho para beber um copo com o Maximino.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Uma cassete revolucionária

Os anos passam sem a gente dar por isso. Nos meus “arquivos” de coisas das Caldas tenho esta preciosidade, um autocolante da Mattel - Áudio Magnética, que seguramente terá mais de 30 Anos.
A Áudio Magnética era uma Empresa do Grupo Americano Mattel, e fabricava cassetes de Áudio.
Julgo que foi no final dos anos setenta que esta firma fechou as suas portas mandando para o desemprego umas centenas de trabalhadores, foram tempos conturbados, lembro-me bem das dificuldades de alguns amigos apanhados por este despedimento.

domingo, 2 de janeiro de 2011

"Um Homem livre sempre gostará do Mar"

Nada melhor para começar o Ano que umas imagens repousante sobre o Oceano.


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Bom Ano de 2011

domingo, 26 de dezembro de 2010

Chove. É dia de Natal

Natal, e não Dezembro
Entremos, apressados, friorentos,
Numa gruta, no bojo de um navio,
Num presépio, num prédio, num presídio,
No prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
Porque esta noite chama-se Dezembro,
Porque sofremos, porque temos frio.
Entremos, dois a dois: somos duzentos,
Duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
A cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
Talvez seja Natal e não Dezembro,
Talvez universal a consoada.

(David Mourão-Ferreira, Cancioneiro do Natal)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Boas Festas


sábado, 18 de dezembro de 2010

Está bonita a minha Cidade

As coisas no Comércio, como noutros sectores, não estão famosas, mas ainda assim ninguém nos pode acusar de não contribuir para que a cidade tenha alma.
Estas imagens dão conta de alguma animação de Natal. Os recursos não são muitos, mas melhor que a grandiosidade das animações é o espírito de união que pessoalmente constatei num jantar de Natal com alguns amigos “Comerciantes desta Praça”.
Lembrando os meus velhos tempos “revolucionários” apetece-me dizer:
A Luta continua…Juntos venceremos.


sábado, 11 de dezembro de 2010

Uma viagem ao passado

Hoje vou utilizar a mesma fotografia que utilizei no Blog dos Antigos Alunos da Escola, porque esta é a imagem que hoje me fez recuar 40 anos e me levou novamente para a Rua Jacinto Ribeiro ali no Bairro da Ponte onde no sótão do Tomé nasceu e cresceu o “Grupo Académico Estrelas da Juventude” mais tarde, entrando na onda revolucionária o Clube Operário “Os Estrelas”.
Pois o meu amigo Tomé, completou 60 anos, nada de extraordinário, só que neste caso, este Amigo trava uma luta sem quartel com a doença. A coisa não está fácil, mas a sua vontade de viver é um exemplo que nos deixa envergonhados quando pensamos que os nossos problemas são muito importantes.
Falámos dos Estrelas, dos Amigos, da Escola, do Ping-Pong e de tantas outras coisas, e curiosamente quando demos por isso já estávamos a fazer planos para o futuro.

Quando a festa acabou vinha pelo caminho a pensar como nós damos pouco valor às pequenas coisas da vida.

Prometi lá voltar um dia destes, porque faz bem à alma recuar 40 anos e perceber que a vida só faz sentido quando temos amigos.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Cidade Termal

Hoje trago para o meu Blog um texto que "roubei" ao blog do Jorge Mangorrinha, porque me parece muito interessante.
Pessoalmente acho que a Cidade está a definhar e que as Termas seriam a última oportunidade do ressurgimento desta região, tenho algumas dúvidas se não será tarde de mais.

Cidade que das águas nasceu e cujo território modelou o seu assentamento, será que Caldas da Rainha é hoje uma cidade em busca do seu posicionamento estratégico? Será que algumas decisões futuras e próximas contribuirão para esse desígnio?
Em 2010, afinal o que quer ser esta cidade? Nela, qual o papel dos vários temas sujeitos a este ciclo de debates? Será que pode ser uma cidade hospitalar ou de saúde, uma cidade com termas ou termal, uma cidade de cultura e turística? Qual o papel da revisão do PDM na assunção de um conceito identitário único ou misto para a cidade?
Há alguns anos, dizia-se que a globalização iria destruir as diferenças locais, homogeneizando o espaço e a sociedade. Hoje, o debate não se coloca mais nestes termos. Tanto as peculiaridades locais como a própria globalização económica passou a valorizar as diferenças dos lugares, fazendo desta diferenciação um atractivo para o capital económico das cidades.
Ao analisarmos uma cidade, é preciso vê-la na sua dupla dimensão, de cidade que se projecta e antecipa – ou seja, a cidade que se sonha – e de cidade que se concretiza – ou seja, a cidade construída e vivenciada, que nem sempre é a que foi sonhada ou projectada.
A cidade, entre projectos e políticas, ora se parece transformar de uma forma vertiginosa, ora parece permanecer quase imutável na sua morfologia e na sua identidade. São os tempos da cidade. Mas também é verdade que, tal como um relógio avariado está certo duas vezes por dia, a cidade tem sempre um espaço cujo quotidiano é distintivo, ou seja, o seu tempo certo.
Aliás, o tempo das cidades é algo a que também podemos associar ciclos de vida.
E se as identidades de uma cidade fazem parte do seu tempo certo, mesmo a perda momentânea da sua função mais distintiva lhe não deve perder a identidade. Por exemplo, a cidade inglesa de Bath sobreviveu exportando a sua imagem de cidade termal, entre 1976, quando as suas termas fecharam por inquinação das águas, até à abertura do novo balneário termal, em 2006. E isto foi possível, porque manteve a sua imagética urbana e turística associada a essa identidade, mesmo sem ter nesse largo período um balneário em funcionamento. O tempo aqui, associado a esta imagética, parece que não parou.
Mas afinal quais são as ideias necessárias para as Caldas e os vectores que, hoje em dia, vão tecendo dinamicamente as relações entre a cidade existente e a cidade desejada? Creio que são exactamente as decisões futuras que condicionarão o percurso desta cidade: será que é uma cidade fechada em si mesma, ou uma cidade que dialoga, a uma outra escala, com a região envolvente, dando as mãos a outros municípios na partilha de equipamentos, sejam eles de saúde ou industriais, por exemplo?
Caldas já não é a mesma cidade de há 50 ou 100 anos, nem por exemplo há imprensa satírica como há quase 100 anos para contar com humor toda esta indecisão que dá mote ao debate que se segue: um hospital novo ou ampliado? Ou mesmo à indecisão sobre o futuro do termalismo local.
Efectivamente, há quase 100 anos, quando tínhamos um hospital civil na periferia da então vila, também tínhamos um jornal satírico, pelos vistos desconhecido de muitos e que, provavelmente, aqui revelo como mais um jornal caldense, O Viroscas, saído a 11 de Outubro de 1914. No seu primeiro número intitulou-se um “semanário imparcial com pretensões a humorístico”. É, provavelmente, o único jornal caldense integralmente de tom satírico. E, seguramente, bem falta hoje nos faz!
Voltando ao tema central do debate que se segue, nos anos 50 em termos internacionais um hospital planeava-se quase sempre renunciando-se aos terrenos urbanos. Fiz essa pesquisa recentemente num universo considerável de hospitais portugueses e estrangeiros.
Um hospital era descrito como um organismo mutável, não só devido ao progresso das ciências médicas, como também às novas necessidades sociais, às quais devia ajustar o seu mecanismo. Em termos internacionais, a construção de um hospital moderno, segundo o médico Albert Marechal e o arquitecto J. Minguet, já apresentava um grande número de problemas, tanto no plano urbanístico, como no plano funcional, defendendo esses especialistas que cada vez mais se tomaria em conta que se não podia nem devia dissociar as três missões de um hospital de dimensões consideráveis, como a terapêutica, a investigação e o ensino.
Nessa época, nas Caldas, o Hospital de Santo Isidoro apresentava-se, segundo o plano urbanístico de Paulino Montez, antiquado e a necessitar de ser substituído por um novo edifício. E Paulino Montez é bem objectivo: “a localizar, como o existente, em terreno fora do aglomerado, junto da via envolvente”. Contudo, a construção do novo hospital, na década de 1960, no centro urbano e num local de diminutas acessibilidades, como ainda hoje se torna evidente, veio a revelar-se polémico, que nem mesmo o Plano de Montez impediu.
Polémico designadamente entre a população caldense. Em 1958, dois artigos publicados no Diário Popular, de 17 e 19 de Novembro, documentam o ambiente de insatisfação quanto à aplicação financeira do legado da Condessa de Bertiandos, na construção do novo Hospital Sub-Regional. Lembre-se que esse legado deveria “ser aplicado inteiramente no melhoramento e reapetrechamento, tão necessários, das instalações do estabelecimento termal” (Diário Popular, de 17 de Novembro de 1958, p. 11). A população discordava da pretensão em construir o Hospital na Mata, já que a própria Misericórdia possuía terrenos em redor do Hospital de Santo Isidoro, “na periferia da cidade, como convém” (Diário Popular, de 19 de Novembro de 1958, p. 8).
O Hospital Sub-Regional das Caldas da Rainha nasceu assim envolto numa polémica local. O seu projecto a merecer parecer do Conselho Superior de Obras Públicas data de 1953. Este hospital foi pensado para atender às necessidades de assistência hospitalar da sub-região, como também para prestar apoio ao hospital termal, entidade esta que foi a que promoveu a construção em terrenos seus. Nos termos da Lei 2011, de Abril de 1946, que definia na altura a organização hospitalar do país, a construção de hospitais sub-regionais dever-se-ia fazer em regime de comparticipação entre a entidade que promovia a sua construção e o Fundo de Desemprego e, por isso, haveria sempre que atender, na elaboração dos respectivos projectos, aos recursos de que essas entidades pudessem dispor. Neste sentido, a lotação deste hospital, tendo em atenção a população à época do concelho, deveria ser de 76 camas, mas com a possibilidade de passar a 100 em 1971, o que conduziria a uma construção em duas fases. Porém, atendendo a que este hospital deveria ser um complemento do hospital termal foi resolvido que a construção se efectuasse numa só fase, pelo que a previsão em projecto passou para 95 camas. As ampliações far-se-iam anos mais tarde, como sabemos.
Foi esse princípio de articulação estreita com o hospital termal, tendo em vista captar o legado que fora apenas previsto para este, que motivou a opção em construir o novo hospital no centro da cidade. Essa articulação do novo hospital com o hospital termal, apesar de um recuo relativamente à iniciativa de final do século XIX, suportou-se também na ideia de se criar nas Caldas um Centro Nacional de Reumatologia, mas tal nunca viria a acontecer.
Aliás, o médico local Mário de Castro, em artigo datado de Janeiro de 1963, referia que: “o Hospital Termal Rainha D. Leonor, unidade assistencial de clínica hidrológica, está desactualizado, muito abaixo das suas tradições, possibilidades assistenciais e do papel que lhe deve ser atribuído na hidrologia nacional”. Lembro que, em 1962, se dera a passagem deste hospital termal a unidade em funcionamento permanente, durante todo o ano, e designado Hospital Central da Zona Sul, na sua qualidade termal.
Portanto, estas realidades, quanto à necessidade da sua modernização e ao mesmo tempo com responsabilidades acrescidas, induziam uma desejável articulação do hospital termal com o investimento que na época era feito ali ao lado, com a construção do novo hospital sub-regional, o que porém não aconteceu.
Hoje, como contributo para o debate, creio que o futuro deste edifício podia passar por uma ponderação que incluisse vários factores, mas acho que tem sentido recuperar a sua origem programática e enquadrá-la numa forte ligação às termas, independentemente de ser ampliado ou não. É esta ideia que quero deixar e confio no saber e na experiência do vasto corpo clínico desta unidade para consubstanciá-la e verificar a sua pertinência no quadro da decisão que se procura. Acho que podemos aproveitar esta singularidade como elemento programático, porque a relação com o termal é um factor inteligente de optimização das preexistências e dos investimentos públicos que em 50 anos ali foram realizados.
A nova entidade física seria repensada como hospital que integraria uma componente reumatológica no seio das existentes, que ainda hoje seria único, tal como inicialmente defendia o Dr. Costa e Silva. E até se cumpriria, finalmente, o legado da Condessa de Bertiandos.
Admito que na análise a este tema não estão todos os dados lançados, entre novo e ampliação. Mas creio que a hipótese que lanço se deveria pôr na mesa, em qualquer cenário, identificando em ambas as soluções: os pontos fortes e fracos, ameaças e oportunidades, e só depois decidir-se entre uma ou outra, ou mesmo por uma solução mista.
Neste momento, como sabemos, só uma solução se encontra prevista pelo Ministério da Saúde, recentemente.
Creio que cabe aos actores locais defenderem a melhor solução junto de quem de direito.
É que uma ideia para este edifício e para este vasto património passa por um sinal que todos devemos dar relativamente ao balanço a fazer entre partes dificilmente conciliáveis se os actores apenas olharem para um dos lados do problema.
Potenciar este centro urbano como parque de saúde, integrando aspectos patrimoniais, de cultura e Natureza, é apostar numa sociedade criativa, desde logo nos conceitos que se tem para o futuro de uma cidade. É preciso que a economia criadora seja valorizada através, por exemplo, da acção junto do património e do reforço das identidades locais, que tem consequências efectivas no desenvolvimento.
Nesta nova condição urbana revelam-se identidades plurais e práticas inteiramente novas de apropriação material e simbólica do espaço e do tempo. A diversidade cultural, a multiplicidade de usos urbanos e a difusão de tecnologias de comunicação rasgam as fronteiras do quotidiano dos lugares. Para além do Estado e do Mercado, há novas dimensões de pensar a construção de referências para a vida em sociedade. É nesse sentido que a retomada do papel da sociedade civil como instância política é necessária e inadiável.
A cidade, dizia Shakespeare, são as pessoas nos seus conflitos, medos, alegrias e paixões. E as pessoas para serem plenas na cidade precisam simultaneamente das palavras e das acções. A cidade significa, por excelência, o reino da comunicação, da acção e de toda a complexidade social marcada por diferentes protagonistas. É o território como condição da democracia. Uma estrada para a cidadania. Pelo que o território tem de ser qualificado.
No território, é possível reconhecer o sentido dos interesses colectivos, promover pertenças e mobilizar forças plurais de mudança. É no território que nos fazemos sujeitos da política e portadores de projectos de sociedade. O território significa, portanto, uma marca e uma matriz daquilo que verdadeiramente somos e do que queremos para as novas gerações de cidadãos. Sendo assim, há uma dimensão fundamental entre a prática cidadã e o uso do território como condição da democracia.
Como a cidadania depende da qualidade do espaço público para sua efectivação plena, o território depende da política para seu uso pleno em termos de sociabilidades inovadoras.
Mas atenção que há que escutar os sons da cidade, os seus risos e dores. E sabemos como muito desses sons emitidos são ignorados por alguns actores da cidade. Escutar é entender. Entender para transformar.
Tal como entender o território em presença, entender o papel da comunidade local é promover o debate, com base numa rede, onde o interesse maior seja o interesse comum. Para o pensador francês Michel Foucault, o poder exerce-se em rede. O poder é relação; logo, onde há poder dos cidadãos, há resistência. A identificação dos problemas e o encontro de soluções não são propriedade do Estado central e autárquico, pelo que a sociedade e a sua participação cidadã são vectores cada vez mais fundamentais. O papel de um Conselho da Cidade pode ser visto numa lógica estratégica de gestão de fronteiras, de elos de ligação, de gestão de conflitos, de relações e de interfaces.
Estas Caldas da Rainha podiam ter há muitas décadas apostado em eixos estratégicos tão evidentes com base nas suas características e heranças naturais e culturais. E esses eixos são quatro:

a) O eixo das águas, das termas ao mar;
b) O eixo patrimonial, das Caldas a Óbidos;
c) O eixo comercial, das termas ao caminho-de-ferro;
d) O eixo ecológico, coincidente com a zona intermédia do Perímetro de Protecção Termal, onde se deveriam ter preservado reservas estratégicas de terrenos.

A cidade não nasce nem cresce do nada. Há preexistências geológicas, paisagísticas e construídas a que importa atender, na sua preservação e potenciação para o desenvolvimento. Mas também é certo que as cidades são imperfeitas, tal como todos nós. Cabe-nos, na nossa imperfeição, podermos acrescentar ao papel da cidade o melhor de cada um. O papel desta cidade é um papel já amarelecido pela história de muitas gerações. E é essa patine que dá alma à cidade, porque o seu legado é o maior ensinamento para nela actuarmos. O legado de uma cidade nunca é, portanto, uma folha em branco! Há identidades que se herdam, há novas estratégias que se ambicionam.
A cidade é palco de tensões, de desafios, de planeamento, de acção política e de cidadania. A cidade é o resultado da acção de todos nós e ela sempre nos chama, uma vez mais, porque como escreveu Kaváfis, escritor grego que se dedicou ao estudo do quotidiano das sociedades, “A cidade, por onde fores, irá”.

Jorge Mangorrinha

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Uma vista sobre a Foz

Antigamente quando a TV “Empandeirava” aparecia umas imagens com a legenda de “Interlúdio”, acmpanhado de música de fundo.
Pois bem hoje não sabia o que havia de pôr no Blog e aqui vai uma imagem repousante, sobre a Foz do Arelho, sem musica.

sábado, 20 de novembro de 2010

Caldas revisitada

Palavras para quê? Este texto do Fernando Santos leva-nos numa viagem ao passado.

"Um dia a maioria de nós irá separar-se..." Era este o início dum belo texto de Fernando Pessoa que o Maximino enviou há dias para o Blogue da Escola.
Com alguma nostalgia confesso que faço parte dessa maioria. Saí das Caldas em 1961 e ao longo de quase cinquenta anos muita coisa se varreu da minha memória. Todavia alguma coisa ficou.
Na segunda metade dos anos 50 trabalhei no Bairro da Ponte para o Vasco de Oliveira que era agente da Mediator e Siemens, para o Manuel Lourenço agente da Loewe opta, (creio que se escreve assim) para o Gomes da Traviata novo agente da Siemens, para o Campos Fragoeiro e o Luís Piassa que tiveram uma loja na Cova da Onça, e por fim em minha casa. O Luís Girão chegou a convidar-me para trabalhar com ele antes de eu ir para a Siemens, e também me recordo do Albano Antunes na Praça do Peixe com quem nunca trabalhei.
Devo agradecer-lhe os esclarecimentos que me deu sobre a Casa Anselmo pois só me lembro da loja na Rua das Montras, e creio que em 61 ainda tinha a Philips junto com as roupas e tecidos.
As idas a Caldas foram sendo cada vez mais espaçadas. Mais para visitar os meus pais e outros familiares do que os amigos que entretanto foram desaparecendo. Visitas de pouca duração devido ao clima muito húmido e com o qual nunca me dei bem, pois mal lá chegava constipava-me imediatamente. Coisa que não tem acontecido nas últimas estadias.
Muito embora vá à terra uma vez por outra, já não conheço aquela que foi as Caldas do meu tempo. Cinemas Ibéria (onde fui Ajudante de Projeccionista ) Pinheiro Chagas, Bailes do Lisbonense, Verbenas dos Santos Populares no Largo João de Deus e Bairro da Ponte, passeios de barco no lago, Picadeiro no Parque durante o Verão ao som da Banda Comércio e Industria, ou na Praça da Fruta durante o Inverno que aos Domingos se enchia de gente após as Matinées dos cinemas, os convívios entre famílias nos cafés Invicta, Bocage, Central, Lusitano, e Capristanos. As festas de Tornada, do Campo, da Lagoa Parceira, Senhora da Luz (por aquele caminho só de areia) Foz do Arelho, Nadadouro, ( onde o Padre só deixava dançar homens com homens e mulheres com mulheres ) e o Santo Antão. ( Santo Chouriço como lhe chamávamos ) As "viagens" de comboio às praias de Salir e S. Martinho, (alguém o utiliza hoje? ) Para a praia da Foz nas Camionetas ( era assim que se chamavam ) dos Capristanos sempre a abarrotar de gente no Verão, ou de bicicleta alugada no Samagaio. Os acampamentos no Pinhal à entrada da Foz ou na Praia frente ao Lagoa Bar do Zé Felix e da tasca do Robalo, porque ainda não havia Parque de Campismo... Um rol de recordações. Não tínhamos Telemóveis nem Internet mas fomos certamente mais felizes do que os jovens de agora.
Açoteia, Bomtom e montes de casas comerciais que hoje existem nas Caldas só de ler na Gazeta. Por isso as saudades dos velhos tempos levam-me cada vez mais a tentar encontrar os poucos amigos que ainda restam, ou se possível contactar outros mais novos que me dêem notícias do passado. De há tempos para cá, as minhas companhias caldenses são a Gazeta e os blogues da Escola e do ERO.
Tudo o que lhe digo aqui e muito mais, já se encontra escrito nas minhas memórias.

Desejo-lhe um bom fim-de-semana sem frio e muito sol.
Um abraço.

Fernando Santos.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Casas com história – Anselmo Lda

Então o Zé Ventura começou a sua actividade profissional na Casa Anselmo?
Lembro-me muito bem do senhor Anselmo e da loja que anteriormente só trabalhava com roupas e tecidos. Não me lembro é qual a razão da Philips ter dado a Agência a uma loja de roupas, porque tanto quanto sei o senhor Anselmo não estava nada relacionado com Electro-Domésticos. Todavia a Grundig nos anos 60 pertencia ao Luís Girão cuja loja também era de roupas e tecidos. Porque é que passou para a Casa Anselmo?
Trânsito? A Rua das Montras está muito mais bonita assim!
Fernando Santos.
A propósito do mail do Fernando Santos recupero aqui um post já publicado em 2007 para responder a este amigo de Olhão.
A Casa Anselmo, onde trabalhei, na Rua das Montras era onde actualmente está a "Romã" sempre foi uma loja de Electrodomésticos.
A Secção de pronto a vestir funcionava onde é hoje a Açoteia, posteriormente passou a funcionar paredes meias com os electrodomésticos.
Sempre foi representante da Philips.
Como diz era o Girão e o Albano Antunes que vendiam a Grundig, mas como nas casas do Anselmo em Peniche e Alcobaça também vendiam Grundig, por tabela a marca também era comercializada em Caldas.
A Casa Anselmo tinha ainda uma Secção de Máquinas de Costura que funcionava no inicio da Rua Miguel Bombarda,
Na esquina, em frente ao “Bomtom” era a Mercearia, depois o Jacinto, o Dias Alfaiate, a Casa de roupa do Américo Mota e depois a casa das máquinas de costura do Anselmo, se a memória não me falha julgo que era assim.
Por falar em memória, o meu amigo J.J. tem razão quando diz que o fecho da Rua das montras é no final da década de setenta, tenho um recorte da Gazeta das Caldas de 1979 que refere o acontecimento.

Quando se fizer um levantamento sobre a História do Comércio em Caldas da Rainha, (Um trabalho que tarda), a Casa Anselmo terá um lugar com algum destaque.
Esta firma que tinha a sua sede na “Rua da Montras”, onde hoje existe a Romã e a Açoteia, dedicava-se à venda e assistência técnica de electrodomésticos, fundamentalmente da marca Philips. Tinha ainda uma secção de pronto a vestir e venda de Máquinas de Costura, ministrando alguns cursos de utilização das mesmas.
Esta firma com gerência de Anselmo Fausto de Sousa, tinha outra loja em Peniche e comparticipação na Loja de Alcobaça, “Anselmo e Bajouco Lda”.
Cerca de três dezenas de empregados, onde me incluo, passaram por aquela casa.
A sua actividade acabou por volta de 1980.
Muitas histórias há para contar. Recordo que constava nos registos da Philips que o “Anselmo” foi a Casa que mais rádios vendeu numa altura em que a TV ainda não fazia parte dos nossos hábitos.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Rua das Montras – Anos 70

No princípio dos anos setenta, depois de muitos avanços e recuos, foi possível encerrar ao trânsito a Rua das Montras, lembro-me muito bem de todo este “imbróglio”, pois na altura era empregado na Casa Anselmo, uma casa de grande prestígio em toda a região pois distribuía equipamentos de marcas conceituadas como a Philips e Grundig, além de possuir secções de pronto a vestir e tecidos a metro.
Mas voltando à Rua, o encerramento ao trânsito teve acérrimos opositores que com o decorrer dos anos perderam a razão, porque se tornou numa rua de grande movimento e de referência do Comércio das Caldas.
Esta fotografia dos anos setenta recorda alguns estabelecimentos marcantes desse período.

domingo, 7 de novembro de 2010

Jogo da bola

Hoje é dia de jogo “grande”, bem sei que isto é lugar comum, mas o que dava jeito era que perdessem os dois, isto considerando que o Sporting é capaz de levar de vencida o Guimarães.
Deixo aqui a minha previsão da constituição das equipas.

Porto – Américo, Atraca, Rolando, Bernardo da Velha, Pavão e Valdemar.
Em baixo: Jaime, Gomes, Djalma, Custódio Pinto e Nóbrega.

Benfica – Germano, Cruz, Coluna, Cavém, Neto e Costa Pereira.
Em baixo; José Augusto, Yauca, Torres, Eusébio e Simões.


Era assim nos anos sessenta, e que bem que jogavam.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Que tal um novo “25 abril”?

Hoje faço minhas as palavras do Camilo Lourenço

" (...) os políticos não sabem o que se está a passar? Não é crível. Mesmo admitindo que parte deles têm assessores que reprovariam na cadeira de Introdução à Economia, alguém já lhes deve ter falado do tsunami que está a arrasar as empresas. (...) o que os leva, então, a manterem comportamentos que prejudicam empresas e famílias? Só vejo uma explicação: eles não sabem o que custa a vida. Por outras palavras, não sabem o que é a responsabilidade de chegar ao final do mês com dinheiro em caixa para pagar salários. E provavelmente não sabem o que é lutar por um salário. Só pode ser."


Camilo Lourenço - Jornal de Negócios - 29-10-2010

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O Leão de Ouro

Na semana passada almocei em Lisboa no Leão de Ouro, que fica na Rua 1º de Dezembro, ali ao lado da Estação de Caminhos de Ferro do Rossio.
Além de se comer bem, este Restaurante, fundado em 1842, tem algumas particularidades que me agradam.
Já há uns anos que não passava por lá, fui algumas vezes cliente daquela casa, até porque aproveitava para cumprimentar um conterrâneo da Sobrena que lá trabalhava.
Mas o motivo porque trago para o Blog o assunto, é porque na parede, há uma reprodução enorme do quadro do Columbano, que representa o “Grupo do Leão”, que segundo apurei, se reunia naquele local no início do século passado quando o Restaurante se chamava “Cervejaria Leão”.
Deste grupo de ilustres pintores destaque para Columbano Bordalo Pinheiro, Rafael Bordalo Pinheiro e José Malhoa, todos eles muito ligados à nossa cidade.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Ainda o ZX Spectrum 48K

Amigo Ventura
Depois de ter lido o artigo no teu blog acerca do Spectrum, envio uma foto de um conjunto completo que ainda sou possuidor.
ZX Spectrum 48K com gravador para ler e gravar programas e respectivo aparelho TV para visualizar as imagens.

Carlos Nobre


Não há duvida que esta máquina continua bem viva nas nossas memórias.

O Spectrum 48K originalmente lançado pela Sinclair em 1982, pode ser caracterizado como um dos primeiros computadores pessoais a serem disponibilizados ao público.
Apresentava uma resolução de 256×192 pixéis (ou 24 linhas de 32 caracteres cada) com apenas 8 cores de base (havendo possibilidade de ganhar mais umas cores com alguns truques). Um computador que se ligava a uma televisão.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Super Mário, Spectrum e outras tecnologias

A propósito do ultimo post sobre o Super Mário, o meu amigo Justiça puxou da caneta e da sua memória e vá de lembrar aqueles tempos gloriosos daquela máquina espantosa que foi o Spectrum.


O Spectrum

Decorria o ano de 1980. Em meados desse ano passeava os ossos pela Av. da Igreja no Bairro de Alvalade em Lisboa. Frequentei este Bairro durante 25 anos pois trabalhava na Praça de Alvalade no edifício do Centro Comercial dividido por duas Empresas, a IBM e a Profabril e, claro está, o Centro Comercial de Alvalade.
O Bairro era o maior Centro Comercial, ao ar livre, que existia na Capital. Ali encontrava-se de tudo, desde simples oficinas de sapateiro, já raras na cidade, até sofisticados Bancos, cinema, igreja, enfim, tudo.
Num fim de manhã de um qualquer sábado fui com a minha cara-metade ver as montras. Tinha finalmente mudado de casa, de um apartamento T2 na Reboleira de construção J. Pimenta e 10 andares, morava num 8º. Andar de um prédio com 2 elevadores e que tinham a particularidade de, ou funcionavam os dois ou avariavam os dois. Cansado de muitas vezes subir pelas escadas, particularmente ao final de um fim de semana na terrinha, chegava com as batatas, peixe, cebolas, etc., as malas com as roupas de 4 pessoas, já tinha duas filhas, carrinho de bebé, e demais panóplia inerentes e necessárias para um fim de semana e lá tinha de subir e descer, por vezes em duplicado. E porque o espaço já se tornava acanhado resolvi comprar um andar T4 em local mais acolhedor e bonito numa casa de 3º. Andar, sem elevador.
Nesse sábado de ver montras dei de caras com uma montra onde estava um aparelhozinho ligado a uma TV. No ecrã passava uns bonecos que iam mudando conforme se comandava o tal aparelhozinho. Entrei na loja e o dono veio ter comigo, já me conhecia de vista através dos meus passeios de queimar o tempo, na hora do almoço. Perguntei o que era aquilo e ele passou a dizer-me que era um PC. Ri-me, pois os PC’s que á altura conhecia tinham dois braços e duas pernas e a cabeça cheia de ideias revolucionárias e importadas. Após esta brincadeira, passou a explicar-me mais detalhadamente as funcionalidades, até que, ás páginas tantas, lhe referi que isso fazia o computador da Empresa onde trabalhava só que este ocupava um salão enorme. O bichinho ficou a roer-me todo o fim de semana.
Saí da loja, agradecendo o tempo que me foi dispensado e com eram horas de almoço fomos almoçar ao restaurante Pomar de Alvalade na Rua Marquesa de Alorna onde era comensal, isto é, almoçava lá todos os dias e fazia as contas com o Sr. Manuel e a D. Maria, donos da casa, no fim de cada mês, deixando-lhes apenas, todos os dias, o Ticket Restaurante. Saberão com toda a certeza o que é almoçar em restaurantes acompanhado por duas crianças, nem vale a pena a descrição. Primeira dificuldade a “escolha de prato” para elas, depois o comportamento, etc. etc., mas a D. Maria tinha sempre uma solução para este freguês de todos os dias.
Ás tantas entra pelo sala o Paulo, filho o Sr. Manuel e D. Maria, aos “toques” numa bola, não me admirei pois era prática frequente. Era na altura, menino de instrução primária e que demonstrava uma farta paixão pelo futebol. Deixei de frequentar aquela zona em 1998, porque o Governo vendeu a Empresa onde eu trabalhava, para colmatar as suas dívidas á UE, sem se preocupar que atirava para o desemprego mais de 600 técnicos e só voltei a saber do Paulo quando o vi na TV a envergar as cores do Sporting, com o nome de Paulo Bento. Fiquei curioso e satisfeito por saber da sua carreira, tanto no Sporting como na Selecção Nacional e concluí, dadas as recordações do passado recente, que só poderia ser assim, o rapaz estava fadado para ser um grande futebolista. Hoje só poderei dizer, “Paulo, boa sorte com a Selecção”.
Mas voltando ao tal aparelhozinho. Era um computador ZX Spectrum. Claro que na segunda feira seguinte fui comprá-lo. E com ele um gravador/leitor portátil de cassetes que era o meio usado para carregar e gravar programas. Não precisava de aparelho TV porque a da cozinha chegava e servia muito bem.
Ao fim do dia e “em pulgas” para chegar a casa e experimentar o novo brinquedo - não há dúvida que somos crianças toda a vida - lá fui “roubar” a TV da cozinha, perante o olhar reprovador da “dona da casa” mas lá expliquei que antes de comprar nova TV teria de saber se “aquilo” resultava. Ficou mais aliviada pois a ausência do “aparelho dos bonecos” na cozinha afinal era temporária. Se me deitei nessa noite? não me lembro. Mas aquela “coiseca” até escrevia no ecrã da TV, e gravava na fita do gravador. Eureka!
Pela manhã voltei a colocar a TV na cozinha e fui trabalhar. Quer dizer, estive presente no local de trabalho mas com a cabeça noutro local e a leitura do livro de instruções á frente, aberto na secretária, onde fiquei a saber que aquele “bichinho” utilizava uma linguagem que para mim era totalmente nova. Basic. Zeros e uns que colocados adequadamente formavam uma palavra escrita. Então vai de aprender esta escrita para poder “comunicar” com o “bicho”.
O tempo decorreu “de nova em nova” descoberta e um dia fui a Madrid, Espanha, em trabalho, e numa loja de informática dou de caras com um programa de “Desenho Assistido por Computador”. No ecrã da TV passava um programa em que aparecia a planta de uma casa, alçados e cortes, feitos pelo tal PC. Ora isso era a minha área de trabalho. Era uma paixão que já vinha da Escola Comercial e Industrial de Caldas muito por culpa do saudoso Engº. Piriquito.
Chamava-se o programa “TurboCad” e logo ali tinha de ser meu. Custou-me os olhos da cara. Dava para comprar vários computadores. Novamente surgiu aquela ansiedade de chegar ao meu cantinho para experimentar o programa. E “qual criança” de mente aberta para novos experimentos foi quase a primeira coisa que fiz á chegada. Por sinal tinha recebido uma encomenda para projectar uma moradia tipo “duplex” e cujo projecto já tinha delineado á mão. Resolvi, e ainda bem, tentar o tal “Desenho Assistido por Computador”. E não é que me saiu bem. Obrigou-me a adquirir uma impressora, daquelas que faziam um ruído que mais parecia o rasgar de papel, com buraquinhos de cada lado e folhas contínuas. Daí a imprimir a “obra”, e a escrever a Memória Descritiva foi um passo.
O pior estava para vir. A Câmara Municipal aceitar “aquilo” como projecto. Podia lá ser! Um projecto executado por uma máquina! A minha insistência foi forte e cabal em explicações que o caso foi levado ao Presidente para ser ele a anuir ou rejeitar o trabalho. Era nessa altura Presidente da Câmara o Sr. Rui Coelho, outrora colega da Escola. Mente aberta, logo ali ficámos á conversa pois queria saber mais sobre esta nova forma de desenho. Com um comentário final – Se calhar isto é o futuro – o projecto lá ficou para aprovação. A casa ainda está de pé e foi a primeira de muitas outras que ao longo da minha carreira elaborei.
É claro que o Spectrum, com o decorrer do tempo, ficou obsoleto para mim e para gáudio da pequenada cá da casa foi posto de parte e elas ficaram com um brinquedo novo e avançado para a época.
O Amstad já vinha com monitor incorporado, era mais rápido e eficaz mas, como não podia deixar de ser também passou de moda e foi substituído e assim aconteceu com o seguinte e com o seguinte … add eternum.
Alfredo Justiça

Um abraço meu Amigo e obrigado pela tua colaboração.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Gosto desta aguarela

Em Agosto o CCC levou a cabo International Watercolour Meeting of Caldas da Rainha, que tinha como objectivo reunir uma dúzia de pintores e faze-los percorrer as ruas das Caldas para captarem com os seus pincéis algumas paisagens.

O Moldavo Eugen Chisnicean ganhou um prémio com o quadro aqui retratado.

A sua aguarela ilustra uma cena urbana da Rua das Montras, aliás já sugeri ao meu amigo Alexandre Tomaz que adquirisse esta obra pois a sua loja, A “Túnica” tem lugar de destaque.

Não sei qual o valor comercial desta aguarela mas que gostaria de a pendurar numa parede de minha casa, isso é verdade.