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domingo, 12 de outubro de 2014

Caldas de outros tempos - Capristanos


A primeira camioneta foi comprada por Artur Capristano em 1933 e fazia a carreira entre Bombarral e Lourinhã. A empresa na altura chamava-se “Capristanos & Ferreira Lda”.
Com o aumento do número de viaturas, a firma passa a fazer o Lisboa - Caldas, e com a compra da “Caldense” acrescentam o Caldas – Peniche.

A 19 de Fevereiro de 1949 a empresa Capristanos inaugurava nas Caldas da Rainha um edifício marcante que viria a determinar o desenvolvimento da região no terceiro quarto do Século XX.
Este edifício desenhado pelo arquitecto Camilo Korrodi foi considerado na altura como a estação rodoviária mais luxuosa da Península Ibérica.

A empresa é vendida aos Claras em 19 de Dezembro de 1961 e com este acto, o que fora um importante centro rodoviário, tornou-se uma sucursal periférica subordinada a Torres Novas.
Artur Capristano morreu a 22 de Julho de 1967 com 71 anos de idade.

domingo, 28 de setembro de 2014

Movimento associativo dos anos 70

Estas foram algumas das colectividades que os anos setenta viram nascer nas Caldas da Rainha.
O Clube Operário "Os Estrelas" estava vocacionado para a prática do Ténis de Mesa. Os Calimeros tinham na Natação a sua modalidade de eleição. O Núcleo do MVD albergava várias modalidades, enquanto o Joarsan se dedicava ao basquetebol. O Real Sociedade tinha também várias modalidades, sendo no entanto o futebol a mais significativa. Por fim os Tufudos, além do Futebol, praticavam outras actividades.

domingo, 21 de setembro de 2014

Espelhos de água

O Parque D. Carlos I, vulgo Parque das Caldas, permite-nos tirar fotografias muito interessantes, por isso vamos lá largar o sofá e fazer uma passeata com olhos de ver.

domingo, 18 de maio de 2014

A minha Cidade está em Festa

Este fim-de-semana Caldas viveu um dos momentos altos. As festas da Cidade com o seu habitual concerto, este ano com Rita Guerra, o “Comércio sai á Rua”, promovido pela Associação Comercial e o “Cavalo Lusitano, encheram as Ruas e o Parque da Cidade.
Já não me lembrava de ver a Rua das Montras cheia de gente á 1 de manhã, tal como o Parque que voltou às grandes noites.  
















sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Caldas no seu melhor

Sinceramente já não sei o que diga perante esta fotografia, como é possível que alguém tenha colocado o azulejo nesta posição e tenha achado normal?
E o mais grave é que esta situação já se arrasta á mais de um ano, pelo menos, e ainda ninguém achou por bem mandar pôr o canto da moldura na posição certa, e já agora chamar á responsabilidade o “artista” desta pequena maravilha.

domingo, 14 de julho de 2013

Ao que isto chegou ou as Caldas vistas por um Eborense

No mês passado recebi um mail de um amigo, que não tenho o prazer de conhecer, que dizia;

Permita-me que comece por me apresentar. Chamo-me Paulo, tenho 37 anos, e resido em Évora.
Recentemente descobri o seu blog Águas Mornas, que considero interessante, útil, e bem escrito. Poderá agora perguntar o Zé Ventura por que é que um eborense anda a ler blogs das Caldas? Estamos determinados em sair de cá num futuro próximo - resta saber para onde. Por isso gostaria de saber a sua opinião sobre a cidade
.

Claro que dei a minha opinião, favoravelmente, mas sempre fui dizendo que o melhor era o nosso amigo ver com os próprios olhos, e foi o que ele fez e depois enviou-me este mail que vale a pena ler.


Bem, no final de Maio lá ficámos nas Caldas durante 3 dias e fizemos o nosso trabalho de prospecção à cidade e redondezas.
A última coisa que eu queria era falar mal da sua cidade, mas tenho que ser sincero e dizer que ficámos bastante desiludidos. Se calhar não ajudou o facto de termos apanhado os dias das festas académicas, ou então talvez não saibamos dar o devido valor a algumas mais-valias de Évora que tomamos como garantidas. Seja como for, por favor não se ofenda com aquilo que vou dizer de seguida, é apenas a opinião que trouxemos. Na vida, as pessoas valorizam as coisas de forma diferente, de acordo com a sua personalidade e valores, e é apenas disso que se trata.
Já sabíamos que o clima das Caldas seria excelente para nós, e comprovámos que as praias das redondezas são muito agradáveis. A localização geográfica é também excelente.
Porém, quanto à cidade, achámo-la bastante degradada, tanto a nível de habitações como de espaços públicos - uma das ruas principais, a Av. 1º de Maio, é um exemplo gritante de falta de manutenção. Igualmente importante é os graffiti, que chega a ser sufocante, e é um fenómeno aparentemente fora de controlo. E foi pena constatar que as pessoas parecem encarar estes problemas importantes - degradação e vandalismo - com apatia e tolerância. Penso que a crise não pode ser desculpa para tudo.
Depois, não sabemos se por ser a tal altura das festas, encontrámos por toda a cidade imensa sujidade e um número surpreendente de indigentes: marginais, pedintes, arrumadores de carros. Fomos informados que parte disso se deve à Escola Superior de Arte e Design, cuja presença terá conduzido a que as Caldas abdicassem de algum civismo para obter o dinamismo daí resultante, e à Associação Volta a Casa.
Acabei eu próprio por ter alguns problemas com arrumadores de carros que "trabalhavam" no parque precisamente junto à PSP (!). Custa-me subsidiar traficantes/consumidores de droga cujos únicos serviços que prestam são a ameaça e a extorsão..
Não compreendo como o Presidente da Câmara, que tão elogiado é neste país, e tanto gosta de dar lições a outros autarcas, deixou chegar as coisas a este ponto. Era uma pessoa com a qual simpatizava bastante, porque qualquer pessoa que o ouça fica convencida que ali estará um autor de obra exemplar. Agora que vi a sua obra, fico a pensar o que tem ele andado a fazer - é fácil ter as contas em dia quando tanta coisa está por fazer!
Ficámos muito desanimados com as Caldas, que no papel pareciam uma escolha ideal, e provavelmente não iremos para aí. Estamos a estudar outras alternativas (Leiria e Figueira da Foz) mas as coisas não estão a correr muito bem - depois de contactar pessoas destas duas cidades, fui informado que parece haver problemas crescentes de criminalidade e tráfico de droga, relacionados com a presença de inúmeros arrumadores de carros e ciganos. Resta-nos continuar o trabalho, mas isto não está fácil...
Para terminar, queria apenas voltar a agradecer a sua ajuda, fazendo votos para que o José não tenha ficado com a impressão que somos uns nazis ou snobs! Somos pessoas simples e trabalhadoras que apenas querem paz, segurança, e asseio.

Um abraço amigo,
Paulo


segunda-feira, 4 de março de 2013

Ainda a Rua das Vacarias


A propósito do último post sobre a Rua das Vacarias, o meu Amigo Chaves, rebuscou na sua memória e deu uma descrição completa daquela zona.
A fotografia que ilustra este texto, retrata a Rua das Vacarias e foi tirada em 1982 por um dos melhores fotógrafos desta cidade, Pedro Olivença.

Bem me lembro da velha placa em cerâmica "RUA DAS VACARIAS", nasci quase em fronte da mesma, numa casa em que os Samagaios eram os donos, depois mudamos para uma casa um pouco maior em frente da mesma, cujo dono era o Joaquim Herculano.
Quem subia a Calçada 5 de Outubro (Ladeira do Charuto), a meio da mesma, do lado esquerdo era a Rua da Ilha e do lado direito era a Rua das Vacarias. Os velhos habitantes na altura, eram no lado direito a "Padreca", o Januário (pai do Manuel Soares "antigo dirigente do Caldas" e do Esticadinho) que era o guarda dos W.C. da mesma rua. Do lado esquerdo era a taberna do Jaquim Albardeiro, logo a seguir era a minha segunda casa com as traseiras para a pensão "Capelinha do Monte. Seguindo agora até ao fim da rua sempre na esquerda era o prédio do Vasconcelos e o prédio onde moravam os pais da Fátima, Tó Mané e a São Lopes, logo a seguir era Cocheira dos burros e estábulos das vacas dos Casimiros  (o Zé era continuo da escola B.P.) e um muro com uma grande Nespereira e que era o quintal da escola feminina da praça do peixe. Seguindo em frente havia a pequena travessa "ainda existe " e as velhas sentinas com o cheiro a creolina Seguindo em frente era o rei das toalhas (pai do Tó) a Zambézia, que foi destruída por um dos maiores fogos da data, o rei das cavacas e.... Voltando ao início da rua "lado direito" era a Padreca, os Soares, a casa onde nasci, o prédio do Engenheiro Temundo Vendas, (antes os armazéns do Serafim) as velhas escadinhas, um outro prédio, a casa do Paulino Montez, a parte superior da taberna do Narciso, a casa dos Alves e do Carvalinho. É de notar que a rua presentemente é uma rua sem vida, sombria, talvez como tantas outras "minha rua" que foram as nossas ruas..
Nostalgia.....

Chaves

Este nosso amigo Chaves tem uma memória de elefante! Vejam bem como ele recorda os nomes das pessoas que moravam dum e doutro lado da Rua das Vacarias. Eu, que tive a minha primeira morada na Rua da Ilha quando cheguei às Caldas em 1948, apenas me recordo de ter morado no quintal do ti Aníbal. Nem me lembro do Chaves que morava ali tão perto, nem de qualquer outro vizinho. Da Rua das Vacarias apenas recordo de lá ir algumas vezes buscar o leite ainda quentinho à tal vacaria que o Chaves fala.

Fernando Santos.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Caldas de outros tempos - Drogaria Beleza

 
A propósito de uma conversa do Facebook, estes postais aqui “postados” servem para esclarecer que a Drogaria Beleza tinha a sua localização onde actualmente se situa a Casa Caldeano. Esta Drogaria, inicialmente propriedade de Artur Aniceto, mais tarde de Aniceto e Caldeano, daria origem à Loja de Ferragens que hoje conhecemos no local e que é de Avelino Caldeano.
Nesta drogaria chegou a trabalhar o Sr. Manuel Sacramento Lopes que depois saiu para abrir a Drogaria Mimosa na Travessa 5 de Outubro.

sábado, 30 de junho de 2012

A cerâmica das Caldas no seu melhor

Não quero ser juiz em causa própria mas têm que concordar que por aqui já passaram algumas peças muito interessantes no que às Caldas diz respeito, e as fotos de hoje ilustram bem o que digo.

Uma caixa de fósforos de cerâmica para publicitar as faianças Artísticas José A. Cunha que tinha as suas instalações na Rua Almirante Candido dos Reis (Rua das Montras).
Chávena e pires para publicitar a firma Ribas e Sobrinho, que deu lugar à firma Joaquim Baptista, na Praça da Fruta.
A frase completa da chavena é “Brinde da Casa Ribas Sobrinho – Caldas da Rainha”
O Policia prendendo o Zé Povinho por suspeita de Bomba, pois já ouviu duas detonações.
Julgo que se trata de uma peça das faianças Bordalo Pinheiro.
A Vendedeira, uma peça da Secla assinada por J Cascão

As duas últimas, o Pescador e os cestos, são das Faianças Belo.
Estas peças magnificas são do amigo José António Araújo, que amavelmente as disponibilizou para fotografar.

sábado, 10 de setembro de 2011

A matrícula do “Mercedes”

Este Blog, em termos de peças “raras” tem tido a colaboração preciosa do meu Amigo “Zé Gordo”, é o caso desta chapa de matrícula que ele descobriu na feira em Rio Maior.

A viatura com o nº 1450 era obviamente uma carroça, que como se sabe na época tinha que ser registadas na Câmara Municipal.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A Avenida em 1971

Estas fotografias foram publicadas na Revista Diálogo em Julho de 1971 e dispensam comentários, mas vale a pena meditar sobre as barbaridades que se fizeram.


domingo, 10 de julho de 2011

O Hotel Lisbonense

Aqui á uns tempos, um amigo de nome Vicente Martins solicitou-me o envio de alguma documentação sobre o hotel Lisbonense e o pouco que tenho coloquei à sua disposição.
Pois bem.. O Sr. Vicente Martins, que não tenho o prazer de conhecer, publicou agora um Livro sobre o Hotel Lisbonense, e são desse livro estas imagens.
Como se trata de uma edição de autor, julgo que o livro não se encontra no circuito comercial, porém para os interessados podem contactar directamente para o seguinte mail:


quinta-feira, 23 de junho de 2011

“O das Caldas” está murcho

Desculpem a brejeirice mas este está murcho, não pode ser das Caldas.

Esta peça que parece um selo, tem mais de 30 anos mas sinceramente não faço ideia a que se destinava.

Já perguntei a várias pessoas e fiquei na mesma.

Será que alguém dá uma ajuda a esclarecer porque é que “o das Caldas” está apoiado numa fisga e ainda por cima custa 25 escudos?

   

sábado, 2 de abril de 2011

Regeneração urbana

Há cerca de ano e meio que ouvi falar de um grande plano de obras apelidado de “Regeneração urbana”.
Já participei em algumas reuniões, umas mais informais do que outras, por isso conheço em linhas gerais o que a Autarquia se propõe levar a cabo.
Este plano tem os defeitos e as virtudes de tudo o que se tem feito na cidade, ou seja, faz-se a obra e depois a cidade ajusta-se ao que foi feito, mas dou o beneficio da dúvida, embora eu julgo que com os cortes orçamentais que se avizinham que o projecto dificilmente tenha pernas para andar, mesmo levando em linha de conta que esta candidatura aos fundos do Prodep tenha sido aprovada em Julho de 2009.

Mas este meu “post” tem a ver com outra coisa surpreendente, é que hoje um grupo de partidos da “Oposição Municipal” andou a distribuir uns convites para uma sessão no CCC para discutir a regeneração.
Estes amigos têm andado distraídos, ao fim de todo este tempo e numa altura que já há algumas adjudicações,ou pelo menos concursos já lançados, não acham que já é um pouco tarde?

As Caldas tem pago uma factura enorme por ter o mesmo Presidente no Município há muito tempo, mas diga-se em abono da verdade que alguns custos desta factura são também da responsabilidade da apatia da oposição.
Sobre as obras um dia destes volto a escrever.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

"A Cêrca do Burlão"

No Blog dos Antigos alunos da Escola, vieram a terreiro algumas recordações sobre o “Burlão”, a propósito disso e de outros “posts” o meu amigo Fernado Santos enviou esta imagem da “Cerca do Burlão” com o seguinte texto:

A propósito dos folhetos de propaganda dos Hotéis Copa e Edem-Palace, lembrei-me deste mapa. Não me recordo se já o tinha enviado. Vem num livro antigo sobre o Hospital Termal. Conforme podes ver é de 1926, e entre outros pormenores chamo a tua atenção para a “cêrca do Burlão” (é assim que lá está escrito) e a da Maria Carolina. Vê como eram as Caldas naquele tempo, como sei que te interessas pela história das Caldas
Aqui vai uma pequena participação.

Um abraço.
Fernando Santos.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Uma cassete revolucionária

Os anos passam sem a gente dar por isso. Nos meus “arquivos” de coisas das Caldas tenho esta preciosidade, um autocolante da Mattel - Áudio Magnética, que seguramente terá mais de 30 Anos.
A Áudio Magnética era uma Empresa do Grupo Americano Mattel, e fabricava cassetes de Áudio.
Julgo que foi no final dos anos setenta que esta firma fechou as suas portas mandando para o desemprego umas centenas de trabalhadores, foram tempos conturbados, lembro-me bem das dificuldades de alguns amigos apanhados por este despedimento.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Cidade Termal

Hoje trago para o meu Blog um texto que "roubei" ao blog do Jorge Mangorrinha, porque me parece muito interessante.
Pessoalmente acho que a Cidade está a definhar e que as Termas seriam a última oportunidade do ressurgimento desta região, tenho algumas dúvidas se não será tarde de mais.

Cidade que das águas nasceu e cujo território modelou o seu assentamento, será que Caldas da Rainha é hoje uma cidade em busca do seu posicionamento estratégico? Será que algumas decisões futuras e próximas contribuirão para esse desígnio?
Em 2010, afinal o que quer ser esta cidade? Nela, qual o papel dos vários temas sujeitos a este ciclo de debates? Será que pode ser uma cidade hospitalar ou de saúde, uma cidade com termas ou termal, uma cidade de cultura e turística? Qual o papel da revisão do PDM na assunção de um conceito identitário único ou misto para a cidade?
Há alguns anos, dizia-se que a globalização iria destruir as diferenças locais, homogeneizando o espaço e a sociedade. Hoje, o debate não se coloca mais nestes termos. Tanto as peculiaridades locais como a própria globalização económica passou a valorizar as diferenças dos lugares, fazendo desta diferenciação um atractivo para o capital económico das cidades.
Ao analisarmos uma cidade, é preciso vê-la na sua dupla dimensão, de cidade que se projecta e antecipa – ou seja, a cidade que se sonha – e de cidade que se concretiza – ou seja, a cidade construída e vivenciada, que nem sempre é a que foi sonhada ou projectada.
A cidade, entre projectos e políticas, ora se parece transformar de uma forma vertiginosa, ora parece permanecer quase imutável na sua morfologia e na sua identidade. São os tempos da cidade. Mas também é verdade que, tal como um relógio avariado está certo duas vezes por dia, a cidade tem sempre um espaço cujo quotidiano é distintivo, ou seja, o seu tempo certo.
Aliás, o tempo das cidades é algo a que também podemos associar ciclos de vida.
E se as identidades de uma cidade fazem parte do seu tempo certo, mesmo a perda momentânea da sua função mais distintiva lhe não deve perder a identidade. Por exemplo, a cidade inglesa de Bath sobreviveu exportando a sua imagem de cidade termal, entre 1976, quando as suas termas fecharam por inquinação das águas, até à abertura do novo balneário termal, em 2006. E isto foi possível, porque manteve a sua imagética urbana e turística associada a essa identidade, mesmo sem ter nesse largo período um balneário em funcionamento. O tempo aqui, associado a esta imagética, parece que não parou.
Mas afinal quais são as ideias necessárias para as Caldas e os vectores que, hoje em dia, vão tecendo dinamicamente as relações entre a cidade existente e a cidade desejada? Creio que são exactamente as decisões futuras que condicionarão o percurso desta cidade: será que é uma cidade fechada em si mesma, ou uma cidade que dialoga, a uma outra escala, com a região envolvente, dando as mãos a outros municípios na partilha de equipamentos, sejam eles de saúde ou industriais, por exemplo?
Caldas já não é a mesma cidade de há 50 ou 100 anos, nem por exemplo há imprensa satírica como há quase 100 anos para contar com humor toda esta indecisão que dá mote ao debate que se segue: um hospital novo ou ampliado? Ou mesmo à indecisão sobre o futuro do termalismo local.
Efectivamente, há quase 100 anos, quando tínhamos um hospital civil na periferia da então vila, também tínhamos um jornal satírico, pelos vistos desconhecido de muitos e que, provavelmente, aqui revelo como mais um jornal caldense, O Viroscas, saído a 11 de Outubro de 1914. No seu primeiro número intitulou-se um “semanário imparcial com pretensões a humorístico”. É, provavelmente, o único jornal caldense integralmente de tom satírico. E, seguramente, bem falta hoje nos faz!
Voltando ao tema central do debate que se segue, nos anos 50 em termos internacionais um hospital planeava-se quase sempre renunciando-se aos terrenos urbanos. Fiz essa pesquisa recentemente num universo considerável de hospitais portugueses e estrangeiros.
Um hospital era descrito como um organismo mutável, não só devido ao progresso das ciências médicas, como também às novas necessidades sociais, às quais devia ajustar o seu mecanismo. Em termos internacionais, a construção de um hospital moderno, segundo o médico Albert Marechal e o arquitecto J. Minguet, já apresentava um grande número de problemas, tanto no plano urbanístico, como no plano funcional, defendendo esses especialistas que cada vez mais se tomaria em conta que se não podia nem devia dissociar as três missões de um hospital de dimensões consideráveis, como a terapêutica, a investigação e o ensino.
Nessa época, nas Caldas, o Hospital de Santo Isidoro apresentava-se, segundo o plano urbanístico de Paulino Montez, antiquado e a necessitar de ser substituído por um novo edifício. E Paulino Montez é bem objectivo: “a localizar, como o existente, em terreno fora do aglomerado, junto da via envolvente”. Contudo, a construção do novo hospital, na década de 1960, no centro urbano e num local de diminutas acessibilidades, como ainda hoje se torna evidente, veio a revelar-se polémico, que nem mesmo o Plano de Montez impediu.
Polémico designadamente entre a população caldense. Em 1958, dois artigos publicados no Diário Popular, de 17 e 19 de Novembro, documentam o ambiente de insatisfação quanto à aplicação financeira do legado da Condessa de Bertiandos, na construção do novo Hospital Sub-Regional. Lembre-se que esse legado deveria “ser aplicado inteiramente no melhoramento e reapetrechamento, tão necessários, das instalações do estabelecimento termal” (Diário Popular, de 17 de Novembro de 1958, p. 11). A população discordava da pretensão em construir o Hospital na Mata, já que a própria Misericórdia possuía terrenos em redor do Hospital de Santo Isidoro, “na periferia da cidade, como convém” (Diário Popular, de 19 de Novembro de 1958, p. 8).
O Hospital Sub-Regional das Caldas da Rainha nasceu assim envolto numa polémica local. O seu projecto a merecer parecer do Conselho Superior de Obras Públicas data de 1953. Este hospital foi pensado para atender às necessidades de assistência hospitalar da sub-região, como também para prestar apoio ao hospital termal, entidade esta que foi a que promoveu a construção em terrenos seus. Nos termos da Lei 2011, de Abril de 1946, que definia na altura a organização hospitalar do país, a construção de hospitais sub-regionais dever-se-ia fazer em regime de comparticipação entre a entidade que promovia a sua construção e o Fundo de Desemprego e, por isso, haveria sempre que atender, na elaboração dos respectivos projectos, aos recursos de que essas entidades pudessem dispor. Neste sentido, a lotação deste hospital, tendo em atenção a população à época do concelho, deveria ser de 76 camas, mas com a possibilidade de passar a 100 em 1971, o que conduziria a uma construção em duas fases. Porém, atendendo a que este hospital deveria ser um complemento do hospital termal foi resolvido que a construção se efectuasse numa só fase, pelo que a previsão em projecto passou para 95 camas. As ampliações far-se-iam anos mais tarde, como sabemos.
Foi esse princípio de articulação estreita com o hospital termal, tendo em vista captar o legado que fora apenas previsto para este, que motivou a opção em construir o novo hospital no centro da cidade. Essa articulação do novo hospital com o hospital termal, apesar de um recuo relativamente à iniciativa de final do século XIX, suportou-se também na ideia de se criar nas Caldas um Centro Nacional de Reumatologia, mas tal nunca viria a acontecer.
Aliás, o médico local Mário de Castro, em artigo datado de Janeiro de 1963, referia que: “o Hospital Termal Rainha D. Leonor, unidade assistencial de clínica hidrológica, está desactualizado, muito abaixo das suas tradições, possibilidades assistenciais e do papel que lhe deve ser atribuído na hidrologia nacional”. Lembro que, em 1962, se dera a passagem deste hospital termal a unidade em funcionamento permanente, durante todo o ano, e designado Hospital Central da Zona Sul, na sua qualidade termal.
Portanto, estas realidades, quanto à necessidade da sua modernização e ao mesmo tempo com responsabilidades acrescidas, induziam uma desejável articulação do hospital termal com o investimento que na época era feito ali ao lado, com a construção do novo hospital sub-regional, o que porém não aconteceu.
Hoje, como contributo para o debate, creio que o futuro deste edifício podia passar por uma ponderação que incluisse vários factores, mas acho que tem sentido recuperar a sua origem programática e enquadrá-la numa forte ligação às termas, independentemente de ser ampliado ou não. É esta ideia que quero deixar e confio no saber e na experiência do vasto corpo clínico desta unidade para consubstanciá-la e verificar a sua pertinência no quadro da decisão que se procura. Acho que podemos aproveitar esta singularidade como elemento programático, porque a relação com o termal é um factor inteligente de optimização das preexistências e dos investimentos públicos que em 50 anos ali foram realizados.
A nova entidade física seria repensada como hospital que integraria uma componente reumatológica no seio das existentes, que ainda hoje seria único, tal como inicialmente defendia o Dr. Costa e Silva. E até se cumpriria, finalmente, o legado da Condessa de Bertiandos.
Admito que na análise a este tema não estão todos os dados lançados, entre novo e ampliação. Mas creio que a hipótese que lanço se deveria pôr na mesa, em qualquer cenário, identificando em ambas as soluções: os pontos fortes e fracos, ameaças e oportunidades, e só depois decidir-se entre uma ou outra, ou mesmo por uma solução mista.
Neste momento, como sabemos, só uma solução se encontra prevista pelo Ministério da Saúde, recentemente.
Creio que cabe aos actores locais defenderem a melhor solução junto de quem de direito.
É que uma ideia para este edifício e para este vasto património passa por um sinal que todos devemos dar relativamente ao balanço a fazer entre partes dificilmente conciliáveis se os actores apenas olharem para um dos lados do problema.
Potenciar este centro urbano como parque de saúde, integrando aspectos patrimoniais, de cultura e Natureza, é apostar numa sociedade criativa, desde logo nos conceitos que se tem para o futuro de uma cidade. É preciso que a economia criadora seja valorizada através, por exemplo, da acção junto do património e do reforço das identidades locais, que tem consequências efectivas no desenvolvimento.
Nesta nova condição urbana revelam-se identidades plurais e práticas inteiramente novas de apropriação material e simbólica do espaço e do tempo. A diversidade cultural, a multiplicidade de usos urbanos e a difusão de tecnologias de comunicação rasgam as fronteiras do quotidiano dos lugares. Para além do Estado e do Mercado, há novas dimensões de pensar a construção de referências para a vida em sociedade. É nesse sentido que a retomada do papel da sociedade civil como instância política é necessária e inadiável.
A cidade, dizia Shakespeare, são as pessoas nos seus conflitos, medos, alegrias e paixões. E as pessoas para serem plenas na cidade precisam simultaneamente das palavras e das acções. A cidade significa, por excelência, o reino da comunicação, da acção e de toda a complexidade social marcada por diferentes protagonistas. É o território como condição da democracia. Uma estrada para a cidadania. Pelo que o território tem de ser qualificado.
No território, é possível reconhecer o sentido dos interesses colectivos, promover pertenças e mobilizar forças plurais de mudança. É no território que nos fazemos sujeitos da política e portadores de projectos de sociedade. O território significa, portanto, uma marca e uma matriz daquilo que verdadeiramente somos e do que queremos para as novas gerações de cidadãos. Sendo assim, há uma dimensão fundamental entre a prática cidadã e o uso do território como condição da democracia.
Como a cidadania depende da qualidade do espaço público para sua efectivação plena, o território depende da política para seu uso pleno em termos de sociabilidades inovadoras.
Mas atenção que há que escutar os sons da cidade, os seus risos e dores. E sabemos como muito desses sons emitidos são ignorados por alguns actores da cidade. Escutar é entender. Entender para transformar.
Tal como entender o território em presença, entender o papel da comunidade local é promover o debate, com base numa rede, onde o interesse maior seja o interesse comum. Para o pensador francês Michel Foucault, o poder exerce-se em rede. O poder é relação; logo, onde há poder dos cidadãos, há resistência. A identificação dos problemas e o encontro de soluções não são propriedade do Estado central e autárquico, pelo que a sociedade e a sua participação cidadã são vectores cada vez mais fundamentais. O papel de um Conselho da Cidade pode ser visto numa lógica estratégica de gestão de fronteiras, de elos de ligação, de gestão de conflitos, de relações e de interfaces.
Estas Caldas da Rainha podiam ter há muitas décadas apostado em eixos estratégicos tão evidentes com base nas suas características e heranças naturais e culturais. E esses eixos são quatro:

a) O eixo das águas, das termas ao mar;
b) O eixo patrimonial, das Caldas a Óbidos;
c) O eixo comercial, das termas ao caminho-de-ferro;
d) O eixo ecológico, coincidente com a zona intermédia do Perímetro de Protecção Termal, onde se deveriam ter preservado reservas estratégicas de terrenos.

A cidade não nasce nem cresce do nada. Há preexistências geológicas, paisagísticas e construídas a que importa atender, na sua preservação e potenciação para o desenvolvimento. Mas também é certo que as cidades são imperfeitas, tal como todos nós. Cabe-nos, na nossa imperfeição, podermos acrescentar ao papel da cidade o melhor de cada um. O papel desta cidade é um papel já amarelecido pela história de muitas gerações. E é essa patine que dá alma à cidade, porque o seu legado é o maior ensinamento para nela actuarmos. O legado de uma cidade nunca é, portanto, uma folha em branco! Há identidades que se herdam, há novas estratégias que se ambicionam.
A cidade é palco de tensões, de desafios, de planeamento, de acção política e de cidadania. A cidade é o resultado da acção de todos nós e ela sempre nos chama, uma vez mais, porque como escreveu Kaváfis, escritor grego que se dedicou ao estudo do quotidiano das sociedades, “A cidade, por onde fores, irá”.

Jorge Mangorrinha

sábado, 20 de novembro de 2010

Caldas revisitada

Palavras para quê? Este texto do Fernando Santos leva-nos numa viagem ao passado.

"Um dia a maioria de nós irá separar-se..." Era este o início dum belo texto de Fernando Pessoa que o Maximino enviou há dias para o Blogue da Escola.
Com alguma nostalgia confesso que faço parte dessa maioria. Saí das Caldas em 1961 e ao longo de quase cinquenta anos muita coisa se varreu da minha memória. Todavia alguma coisa ficou.
Na segunda metade dos anos 50 trabalhei no Bairro da Ponte para o Vasco de Oliveira que era agente da Mediator e Siemens, para o Manuel Lourenço agente da Loewe opta, (creio que se escreve assim) para o Gomes da Traviata novo agente da Siemens, para o Campos Fragoeiro e o Luís Piassa que tiveram uma loja na Cova da Onça, e por fim em minha casa. O Luís Girão chegou a convidar-me para trabalhar com ele antes de eu ir para a Siemens, e também me recordo do Albano Antunes na Praça do Peixe com quem nunca trabalhei.
Devo agradecer-lhe os esclarecimentos que me deu sobre a Casa Anselmo pois só me lembro da loja na Rua das Montras, e creio que em 61 ainda tinha a Philips junto com as roupas e tecidos.
As idas a Caldas foram sendo cada vez mais espaçadas. Mais para visitar os meus pais e outros familiares do que os amigos que entretanto foram desaparecendo. Visitas de pouca duração devido ao clima muito húmido e com o qual nunca me dei bem, pois mal lá chegava constipava-me imediatamente. Coisa que não tem acontecido nas últimas estadias.
Muito embora vá à terra uma vez por outra, já não conheço aquela que foi as Caldas do meu tempo. Cinemas Ibéria (onde fui Ajudante de Projeccionista ) Pinheiro Chagas, Bailes do Lisbonense, Verbenas dos Santos Populares no Largo João de Deus e Bairro da Ponte, passeios de barco no lago, Picadeiro no Parque durante o Verão ao som da Banda Comércio e Industria, ou na Praça da Fruta durante o Inverno que aos Domingos se enchia de gente após as Matinées dos cinemas, os convívios entre famílias nos cafés Invicta, Bocage, Central, Lusitano, e Capristanos. As festas de Tornada, do Campo, da Lagoa Parceira, Senhora da Luz (por aquele caminho só de areia) Foz do Arelho, Nadadouro, ( onde o Padre só deixava dançar homens com homens e mulheres com mulheres ) e o Santo Antão. ( Santo Chouriço como lhe chamávamos ) As "viagens" de comboio às praias de Salir e S. Martinho, (alguém o utiliza hoje? ) Para a praia da Foz nas Camionetas ( era assim que se chamavam ) dos Capristanos sempre a abarrotar de gente no Verão, ou de bicicleta alugada no Samagaio. Os acampamentos no Pinhal à entrada da Foz ou na Praia frente ao Lagoa Bar do Zé Felix e da tasca do Robalo, porque ainda não havia Parque de Campismo... Um rol de recordações. Não tínhamos Telemóveis nem Internet mas fomos certamente mais felizes do que os jovens de agora.
Açoteia, Bomtom e montes de casas comerciais que hoje existem nas Caldas só de ler na Gazeta. Por isso as saudades dos velhos tempos levam-me cada vez mais a tentar encontrar os poucos amigos que ainda restam, ou se possível contactar outros mais novos que me dêem notícias do passado. De há tempos para cá, as minhas companhias caldenses são a Gazeta e os blogues da Escola e do ERO.
Tudo o que lhe digo aqui e muito mais, já se encontra escrito nas minhas memórias.

Desejo-lhe um bom fim-de-semana sem frio e muito sol.
Um abraço.

Fernando Santos.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Casas com história – Anselmo Lda

Então o Zé Ventura começou a sua actividade profissional na Casa Anselmo?
Lembro-me muito bem do senhor Anselmo e da loja que anteriormente só trabalhava com roupas e tecidos. Não me lembro é qual a razão da Philips ter dado a Agência a uma loja de roupas, porque tanto quanto sei o senhor Anselmo não estava nada relacionado com Electro-Domésticos. Todavia a Grundig nos anos 60 pertencia ao Luís Girão cuja loja também era de roupas e tecidos. Porque é que passou para a Casa Anselmo?
Trânsito? A Rua das Montras está muito mais bonita assim!
Fernando Santos.
A propósito do mail do Fernando Santos recupero aqui um post já publicado em 2007 para responder a este amigo de Olhão.
A Casa Anselmo, onde trabalhei, na Rua das Montras era onde actualmente está a "Romã" sempre foi uma loja de Electrodomésticos.
A Secção de pronto a vestir funcionava onde é hoje a Açoteia, posteriormente passou a funcionar paredes meias com os electrodomésticos.
Sempre foi representante da Philips.
Como diz era o Girão e o Albano Antunes que vendiam a Grundig, mas como nas casas do Anselmo em Peniche e Alcobaça também vendiam Grundig, por tabela a marca também era comercializada em Caldas.
A Casa Anselmo tinha ainda uma Secção de Máquinas de Costura que funcionava no inicio da Rua Miguel Bombarda,
Na esquina, em frente ao “Bomtom” era a Mercearia, depois o Jacinto, o Dias Alfaiate, a Casa de roupa do Américo Mota e depois a casa das máquinas de costura do Anselmo, se a memória não me falha julgo que era assim.
Por falar em memória, o meu amigo J.J. tem razão quando diz que o fecho da Rua das montras é no final da década de setenta, tenho um recorte da Gazeta das Caldas de 1979 que refere o acontecimento.

Quando se fizer um levantamento sobre a História do Comércio em Caldas da Rainha, (Um trabalho que tarda), a Casa Anselmo terá um lugar com algum destaque.
Esta firma que tinha a sua sede na “Rua da Montras”, onde hoje existe a Romã e a Açoteia, dedicava-se à venda e assistência técnica de electrodomésticos, fundamentalmente da marca Philips. Tinha ainda uma secção de pronto a vestir e venda de Máquinas de Costura, ministrando alguns cursos de utilização das mesmas.
Esta firma com gerência de Anselmo Fausto de Sousa, tinha outra loja em Peniche e comparticipação na Loja de Alcobaça, “Anselmo e Bajouco Lda”.
Cerca de três dezenas de empregados, onde me incluo, passaram por aquela casa.
A sua actividade acabou por volta de 1980.
Muitas histórias há para contar. Recordo que constava nos registos da Philips que o “Anselmo” foi a Casa que mais rádios vendeu numa altura em que a TV ainda não fazia parte dos nossos hábitos.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Gosto desta aguarela

Em Agosto o CCC levou a cabo International Watercolour Meeting of Caldas da Rainha, que tinha como objectivo reunir uma dúzia de pintores e faze-los percorrer as ruas das Caldas para captarem com os seus pincéis algumas paisagens.

O Moldavo Eugen Chisnicean ganhou um prémio com o quadro aqui retratado.

A sua aguarela ilustra uma cena urbana da Rua das Montras, aliás já sugeri ao meu amigo Alexandre Tomaz que adquirisse esta obra pois a sua loja, A “Túnica” tem lugar de destaque.

Não sei qual o valor comercial desta aguarela mas que gostaria de a pendurar numa parede de minha casa, isso é verdade.